Rotta denuncia a entrada de produtos alimentícios ilegais e a perseguição a comerciantes em Tabatinga

Rotta produtos alimentícios

O presidente da comissão de Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Amazonas (CDC-Aleam), deputado estadual Marcos Rotta (PMDB), denunciou mais uma vez a falta de fiscalização nas fronteiras do Amazonas, o que implica na entrada e comercialização de produtos impróprios ao consumo no interior do Estado, especialmente no município de Tabatinga (a 1.105 quilômetros de Manaus). Rotta alerta para um problema de saúde pública e cobra dos governos Estadual e Federal, políticas que evitem a entrada e permanência desses produtos (vindos principalmente da Colômbia e Peru) na cidade amazonense.

“É uma situação que cria sérios prejuízos a brasileiros, em especial a comerciantes que moram no município de Tabatinga. Hoje existe uma invasão de empresários peruanos que estão adquirindo, em uma determinada localidade desse município, todos os comércios que lá existem. Há ruas em que existem 30 comerciantes, por exemplo, e apenas 3 são brasileiros, o restante são peruanos. Existe uma organização por trás disso e, há, inclusive, um certo questionamento de que esta organização tem o financiamento dos chefes do tráfico de entorpecentes. É um assunto delicado, porque estão comercializando produtos em solo brasileiro, que não levam em consideração os padrões sanitários adotados no nosso país” disse Rotta, lembrando que a entrada de produtos brasileiros nesses países é rigidamente fiscalizada.

“O curioso é que os produtos estrangeiros adentram o solo brasileiro sem qualquer tipo de controle e fiscalização, mas nenhum produto brasileiro sai do país e chega ao Peru e Colômbia sem passar por uma intensa fiscalização. Há suspeita de que frutas e verduras estão adentrando o nosso país e, muitas vezes, produtos como a batata, por exemplo, estão recheados de cocaína. Nunca é demais lembrar que, pela fronteira de Tabatinga entram no Brasil aproximadamente 130 toneladas de drogas por ano e é inaceitável a forma precária ou quase inexistente de fiscalização por parte dos governos brasileiros. Os comerciantes de Tabatinga não podem comercializar produtos de origem colombiana ou de origem peruana, mas os peruanos que estão em solo brasileiro comercializam todo tipo de produto, todo tipo de alimento, sem qualquer tipo de controle e fiscalização”.

O presidente da CDC-Aleam reforçou o pedido de ajuda aos governos para evitar o comércio ilegal em Tabatinga.

“Não temos nada contra peruanos e colombianos, o que estamos querendo, neste momento, é que o mesmo tratamento feito para os brasileiros, sirva também para os comerciantes peruanos, sobretudo com esta denúncia muito séria da entrada de produtos recheados com drogasO Brasil precisa urgentemente enxergar a fragilidade das suas fronteiras. Esperamos que tanto a Receita Federal, quanto a Polícia Federal e o Ministério da Agricultura possam fazer um grande movimento no município de Tabatinga e acabar com essa forma desenfreada do ingresso e consumo de produtos por parte dos brasileiros. Eu já denunciei nessa tribuna, já denunciei ao governo do Amazonas, mas até agora nada foi feito” , lamentou.