Saiba por que temos vontade de consumir mais durante megaliquidações

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Com a Black Friday batendo à porta e descontos impressionantes sendo ofertados pelo comércio, o consumidor se vê quase “obrigado” a aproveitar as ofertas e ir às compras.

Mas a pergunta que deve ser feita por todos é: eu realmente estou precisando desse produto?

Assim é possível evitar arrependimentos ou até mesmo fazer dívidas que não cabem no bolso.

Se você não consegue agir com tanta racionalidade, mantenha a calma. Não precisa achar que sofre de algum transtorno. Há alguns fatores que influenciam essa vontade de consumir, durante megaliquidações, como explica a especialista Flávia Ávila, coordenadora do MBA em Economia Comportamental da ESPM e sócia da consultoria InBehavior Lab. Veja abaixo:

Efeito manada

Filas enormes, lojas lotadas e várias pessoas comprando ao mesmo tempo. O que você faz? Junta-se a elas. O motivo é o chamado “efeito manada”.

“Quando as pessoas ao nosso redor estão agindo de uma certa maneira, há uma tendência a imitarmos essas ações, seguirmos a maré porque todo mundo está fazendo a mesma coisa”, diz Ávila.

Medo de perder ofertas

O medo de perder um “descontão”, mesmo quando não precisamos de um produto, é outro fator que influencia uma compra por impulso, segundo Ávila.

“Há estudos que indicam que a dor de uma perda é duas vezes maior do que a satisfação por um ganho”, afirma. “Todos já ouvimos falar de alguém que comprou algo legal muito barato em outras Black Fridays, então não vamos querer passar pela frustração de perder um desconto novamente.”

Busca por satisfação imediata

A sensação de satisfação imediata também influencia o consumidor a comprar, segundo a especialista. É comum as pessoas valorizarem mais o que elas podem obter no momento do que benefícios que podem ter no futuro.

“Preferimos comprar algo agora e que nos dê uma satisfação momentânea a esperar, fazer sacrifícios e juntar dinheiro para conseguir o que, de fato, queremos”, declara.

Cair nos truques do comércio

Alguns truques do comércio também induzem o consumidor a comprar. Palavras como “liquidação”, “oferta” e “promoção” associadas a termos como “imperdível”, “só hoje” e “única oportunidade”, por exemplo, aumentam as chances de tomar uma decisão impulsiva, afirma a especialista.

“São palavras impactantes e, durante a Black Friday, somos ‘bombardeados’ por propagandas com elas”, diz.

O remédio: pare e pense antes de comprar

Como, então, resistir à tentação de sair comprando por impulso? A melhor saída é parar e pensar se realmente precisamos daquele produto ou serviço, diz Gabriela Yamaguchi, gerente de comunicação do Instituto Akatu, ONG que promove o consumo consciente. “Às vezes, alguns minutinhos são suficientes para percebermos que aquilo não é importante e desistirmos da compra.”

Ainda que o consumidor precise daquele bem, ele deve se perguntar também como vai pagar, afirma. “É preciso saber se tem dinheiro para pagar à vista ou se vai parcelar. Se vai parcelar, precisa saber se não vai prejudicar o pagamento de outras contas.”

Segundo a ONG, a compra por impulso pode causar problemas como o endividamento ou o acúmulo de produtos em casa. “Se a pessoa compra algo sem precisar, aquilo vai ficar jogado em algum armário, prateleira ou canto da casa, o que deixa o ambiente mais bagunçado e menos confortável.”

Fonte: Notícias ao Minuto