Saída da Ford do Brasil repercute entre parlamentares amazonenses

Foto: Andre Penner

A saída da montadora Ford, após um século de atuação no Brasil, repercutiu por todo o país em razão do impacto econômico causado pela decisão. Parlamentares do Amazonas se manifestaram sobre o caso, levando em consideração o cenário local e o abalo da perda de até cinco mil postos de trabalho no Brasil, já impactado pelo desemprego galopante com a crise econîmica causada pela pandemia.

O deputado federal pelo Amazonas, Marcelo Ramos (PL), afirmou, em seu perfil Twitter, que o imposto recolhido da empresa tinha sua importância na economia brasileira. “Vejo uns ‘liberais’ reclamando dos subsídios da Ford. São ‘geniais’. Se recolhia pouco imposto, agora não recolherá nenhum centavo e ainda perdemos cinco mil empregos”, pontuou.

Em nota enviada ao Radar Amazônico, o senador Eduardo Braga (MDB) afirmou que a decisão parte da ausência de medidas para estimular o ambiente de negócios no Brasil. “Isso precisa servir como um alerta: o país deixou de ser prioridade para grandes empresas que não estão mais dispostas a arcar com altos custos, insegurança jurídica e falta de perspectiva no cenário econômico”, destacou o senador.

O deputado federal José Ricardo (PT), também por meio de nota, reforçou que a política econômica do Governo Federal não favorece a criação de empregos e a manutenção de indústrias. “Essa indefinição faz com que as empresas invistam em países onde as coisas estão mais tranquilas como é o caso da Argentina, que está gerando empregos com políticas sociais e alteração na legislação para cobrar impostos dos mais ricos”, reiterou José Ricardo.

À nível nacional, o vice-presidente do Brasil, Hamilton Mourão, se declarou surpreso com a decisão da montadora que, segundo ele, ganhou bastante dinheiro no país. “Acho que a empresa poderia ter retardado isso e aguardado, até porque o nosso mercado consumidor é muito maior do que outros por aí”, pontuou Mourão, em entrevista a um veículo de imprensa.

Cenário amazonense

Segundo o economista Bruno Renne, apesar de ser uma realidade diferente, por conta da política de incentivos tributários, a saída de uma grande empresa do Distrito Industrial acarretaria em diversos postos de trabalho extintos. “Nossas empresas têm uma vantagem competitiva por conta do nosso Polo Industrial, mas se os incentivos locais acabassem, seria um prejuízo devastador, principalmente à indústria motor da economia amazonense, ocasionando desemprego”, explicou Bruno.

A Ford atuava com fábricas Camaçari (BA) e Taubaté (SP), para carros da Ford, e em Horizonte (CE), para jipes da marca Troller. Em 2020, a montadora ficou em quinto lugar entre as empresas que mais venderam carros no país e deve continuar comercializando produtos aqui, importados da Argentina e do Uruguai.