Salles sugere aproveitar coronavírus para decretar mudanças infralegais

O Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou em reunião ministerial que quer aproveitar o momento da pandemia do novo coronavírus para passar reformas infralegais.

O ministro destacou, durante a reunião com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que a imprensa está “voltada quase que exclusivamente para a Covid-19”.

Segundo Salles, é “a oportunidade que nós temos de passar as reformas infralegais de desregulamentação, simplificação.”

“Precisa ter o esforço nosso aqui enquanto estamos nesse momento de tranquilidade no aspecto de cobertura de imprensa, porque só fala de Covid, e ir passando avoá, ir mudando todo o regramento e simplificando normas, de Iphan, de Ministério da Agricultura, Ministério do Meio Ambiente, ministério disso, ministério daquilo”, disse.

Ele destacou, em seguida, que é preciso que a Advocacia-Geral da União (AGU) esteja com a “artilharia preparada”. Disse que não precisam do Congresso e que tudo “que a gente faz é pauta no judiciário”.

O vídeo foi divulgado na tarde desta sexta-feira (22/05) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Celso de Mello, no âmbito do inquérito que apura denúncia do ex-ministro Sergio Moro sobre possível interferência de Jair Bolsonaro na Polícia Federal (PF).

Entenda o caso
Moro deixou o Ministério da Justiça no dia 24 de abril acusando o presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal. Segundo ele, Bolsonaro não só queria indicar alguém de “sua confiança” tanto para a diretoria-geral da PF quanto para as superintendências estaduais, como também queria “relatórios de inteligência” da corporação.

Entre os elementos que, segundo o ex-juiz, provavam suas alegações, estava justamente o vídeo desta reunião ministerial. As imagens foram entregues pela Advocacia-Geral da União (AGU) ao STF, no âmbito de um inquérito que apura as alegações de Moro, mas permaneciam, até então, em sigilo.
No último dia 12 de maio, o ex-ministro, seus advogados, representantes do governo federal, da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), assistiram ao vídeo juntos, em sessão reservada. Mello atendeu ao pedido de Moro, que defendia o levantamento integral do sigilo — a AGU, por outro lado, queria que apenas as falas do presidente na reunião fossem tornadas públicas.