Sargento da PM que pediu ajuda pra achar as filhas desaparecidas é preso por abuso e exploração sexual das meninas

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O sargento Nunes Pereira, reformado da Polícia Militar (PM), de 53 anos, foi preso nessa terça-feira (18), suspeito de exploração sexual, estupro de vulnerável e favorecimento à prostituição. As vítimas desses crimes são as próprias filhas do PM, de oito e 12 anos de idade. Em dezembro de 2020, o sargento fez uma grande mobilização para encontrar as meninas que desapareceram às vésperas do natal na mata em um ramal na BR-174.

Na época as crianças estavam desaparecidas há uma semana na mata supostamente “perdidas” junto com o padrasto. Após uma grande mobilização as meninas foram encontradas. A equipe de busca explicou que, o próprio padrasto das meninas entrou em contato por telefone com a equipe e pediu ajuda alegando que haviam se perdido na mata. Os três estavam em um casebre no meio do mato com roupas jogadas, motosserra, em um ambiente de péssimas condições.

Entenda o como funcionava a exploração sexual 

Durante as investigações realizadas pela Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), descobriu-se que as meninas eram vendidas para comerciantes e traficantes, e quando estavam ‘desaparecidas na mata’, na verdade estavam sendo levadas para um suposto cliente. A delegada Joyce Coelho, titular da DEPCA, informou também que as crianças também sofriam os abusos sexuais desde os três anos.

“O pai delas já tinha sido acusado por estupro contra elas em 2014, mas o inquérito nunca foi concluído. Uma das irmãs relatou que já foi vendida para um comerciante para comprar comida e uma sandália. A mãe era quem articulava a venda da filha, pois era usuária de entorpecentes, e uma vez vendeu a filha para pagar uma dívida”, disse a delegada.

Em seu depoimento, a menina de 12 anos revelou que ela e sua irmã foram abusadas pelo seu pai e que a outra menina, por ser ainda muito nova, não consegue lembrar.

“Meu pai fez várias coisas comigo e com a minha irmã, graças a Deus a minha irmão não sabe, ela não se lembra do que ela passou, mas eu sim me lembro. Por isso que eu sou doente, porque sempre vem na minha cabeça o que eu passei antes no passado, e eu fico triste porque eu tô passando agora, e eu não aguento essas coisas”, disse a vítima.

Além do pai delas, também foi presa a mãe das meninas que se entregou à polícia. A investigação apontou que a mulher vendia as filhas para traficantes e comerciantes da zona Norte de Manaus, em troca de drogas e comida. O marido dela também foi preso por participação na exploração sexual infantil.

Um comerciante dono de um mercadinho também foi preso acusado de abusar da menina de 12 anos. Segundo as investigações o homem dava de R$ 10 a R$ 20 para a mãe dela, para poder ter relações com a criança.

Padrasto protegeu a meninas

O padrasto com as meninas Foto: reprodução

Sobre o caso do desaparecimento em 2020, muitos indícios empurravam a culpa para o padrasto, alegando que ele teria aliciado elas, mas os exames de conjunção carnal constataram que nada aconteceu. Porém descobriu-se que na verdade ele estava protegendo as meninas.

“Houve essa observação de que a mais velha demostrou muito medo de ser devolvida ao pai, então continuamos em busca de mais informações. Naquele dia em que a mãe levou as crianças para um sítio, ela teria novamente negociado a filha mais velha com o comerciante que tem um sítio também lá  próximo”, contou a delegada.

O trauma 

Atualmente, as crianças estão morando com uma tia e tentam superar o trauma. “Me falaram que minha mãe tinha me vendido pro traficante e isso faz eu ficar muito triste porque ela é mãe, meu pai é pai, eu nunca vou ter mais de um na vida”, disse a vítima.

Os três presos foram apresentados na sede da Depca, após mandados de prisão expedidos pelos crimes de estupro de vulnerável, exploração sexual comercial e favorecimento à prostituição, e serão encaminhados à Central de Recebimento e Triagem (CRT) localizado no quilômetro oito da Rodovia Federal BR-174.