“Se a gente não morrer de Covid, morre de intoxicação alimentar” denuncia funcionário do Hospital 28 de Agosto

Os funcionários já fizeram até um abaixo assinado para denunciar a situação mas até agora nada foi feito

Foto enviada para redação

“Se não morrerem de Covid-19, os funcionários do 28 de Agosto vão morrer de intoxicação alimentar”, a denúncia é de uma enfermeira que preferiu não se identificar, que procurou a redação do Radar Amazônico na tarde desta quinta-feira (13), para denunciar que a comida servida para os profissionais de saúde que trabalham na unidade está cada vez pior.

“Hoje o peixe tá com uma mistura química, querem matar os funcionários. Uma farinha com um peixe horrível estragado só fumaça, por favor vamos tomar uma providência! Vamos fazer uma fiscalização nessa coisinha horrorosa, nós trabalhamos que nem um animal nesse 28 de Agosto e na hora do almoço a gente como uma comida que nem cachorro quer”, disse a enfermeira.

Foto enviada por funcionários para redação do Radar

A funcionária do 28 de Agosto contou também que não é de hoje que a qualidade da comida está ruim e que até um abaixo assinado já foi feito para tentar resolver a situação, mas nada foi feito. Os funcionários relatam até que já foi servido picadinho estragado como almoço.

Contrato sem licitação com Governo do Amazonas

O Radar apurou que a empresa que gerencia a cozinha do hospital é a Santiago Comércio e Serviços, com sede no bairro Adrianópolis e pertence ao sr. Rafael Afonso Rocha da Silva Santiago.

A reportagem descobriu também que a empresa recebe através de processo indenizatório (quando não é realizado processo licitatório) e que a empresa Santiago Comercio e Serviços tem recebido cerca de R$ 696 mil por mês e para servir uma refeição de péssima qualidade para os profissionais que estão na linha de frente no combate a pandemia de Covid-119.

Direito de resposta

O Radar entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) para questionar se a pasta tem feito fiscalizações na cozinha do hospital ou se pretende fiscalizar o contrato. Em nota a secretaria informou que o serviço de alimentação é terceirizado e que já foi revisto e está em processo licitatório. Enquanto isso, os profissionais que atuam na linha de frente no combate à pandemia continuam comendo comida estragada.

Confira a nota na íntegra

A direção do Hospital e Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto informa que o referido serviço de alimentação da unidade é terceirizado, que já foi revisto e está em processo licitatório, por meio da Secretaria Estadual de Saúde (SES-AM), abrangendo, inclusive, várias unidades.

Vale ressaltar que a alimentação servida atualmente atende pacientes, acompanhantes e servidores, não apenas do HPS 28 de Agosto como também do Instituto da Mulher Dona Lindú (IMDL).

A direção deste hospital preza pela qualidade dos serviços seja de que âmbito for na unidade, e quando não está sendo satisfatório é solicitado a revisão, como já citado no início desta nota.