Se fosse um de nós do Zé Povinho já estaria preso

Foto: Marcos Correa

Se há algo que tem tornado os nossos dias ainda piores nesses tempos de pandemia é o fato de, além de termos que enfrentar a tristeza e solidão desse vírus que isola pessoas e mata pessoas amadas, ainda temos que sentir o gosto amargo da injustiça. Se fosse qualquer um de nós do Zé Povinho que descumprisse uma ordem judicial, ia parar na cadeia sem pena e sem dó. Pra nós serve a premissa do mundo jurídico que “decisão judicial não se discute, se cumpre”. Mas quando se trata do governo de Wilson Lima ou do Governo de Messias Bolsonaro não só se discute decisão judicial como também não se cumpre.

E se ainda fosse uma decisão absurda a ser questionada, ainda teria alguma justificativa para que tais agentes públicos não cumprissem o que determinou Sua Excelência o Magistrado. Mas como pode alguém se negar a garantir o regular fornecimento de oxigênio para unidades de saúde pública e não assegurar o necessário atendimento médico para que uma pessoa não morra, nem que pra isso tenha que pagar por um leito de UTI, seja no Amazonas ou em outro Estado.

Quanto vale o valor de uma vida? No Amazonas, parece valer menos que os vídeos de propaganda do governo com os quais Wilson Lima gastou mais de R$ 130 milhões ou tem menos importância que o aluguel de um jatinho por R$ 9, 3 milhões para uso particular do governador, ao invés de servir para pagar uma UTI aérea que daria para ter salvo a vida dos irmãos interioranos que foram abandonados à própria sorte para morrer.

Já Messias Bolsonaro fez que nem Pôncio Pilatos e lavou as mãos para a falta de oxigênio que matou dezenas de amazonenses por asfixia. O capitão bigode grosso, o cara que faz e acontece, deveria ter determinado intervenção na saúde do Estado, ter feito seu ministro general ter tomado a frente da situação e salvado nosso povo. Mas nada disso aconteceu. O Messias está mais preocupado em boicotar normas sanitárias de combate a pandemia e garantir a reabertura do comércio. E nada de imunização da população do País.

Parece pouco para o Messias presidente termos superado a marca de mais de 254 mil mortos. E no Amazonas a escassez de oxigênio e a falta de leitos de UTIs ainda perdura, não importando que exista uma decisão judicial determinando que isso já deveria estar resolvido. A resposta do governo de Messias Bolsonaro foi ainda cortar os recursos para pagamentos de leitos pelo SUS.

E como de costume num aconteceu nadica de nada, nem com Wilson Lima, nem com Messias Bolsonaro. Num trabalho louvável e digno de aplausos, o Ministérios Público Federal, Estadual e de Contas e a Defensoria Pública da União e do Amazonas, continuam entrando com ações na Justiça na tentativa de obrigar o Governo Federal e o Governo do Amazonas a garantir algo básico como oxigênio e um direito constitucional que é o acesso aos serviços de saúde. A Justiça tem respondido com decisões em favor da população. Mas os agentes públicos se negam a obedecer, sem que sejam punidos pelo desrespeito fazendo com que cada vez mais valha a velha premissa de que cadeia só é feita pra pobre.