Se seu “couro é duro”, que dirá o nosso capitão!

Desde a campanha para a presidência da República, que a imprensa virou o alvo preferencial do então candidato e agora presidente, Messias Bolsonaro. Ele esculacha negros, índios, homossexuais, mulheres… qualquer outro ser humano – se é que a gente pode chamá-lo de ser humano – que pensa diferente dele, mas a culpa é dos jornalistas que publicam suas sandices. E não é diferente no mais novo episódio do Messias Bolsonaro versus imprensa.

O jornal Folha de São Paulo fez uma matéria muito bem fundamentada sobre o “laranjal” do partido do presidente da República (PSL), falando sobre uma planilha que está com a Polícia Federal e sobre o testemunho de Haissander Souza de Paula, assessor parlamentar do ministro do Turismo de Bolsonaro, Marcelo Álvaro Antônio e coordenador de sua campanha a deputado federal no Vale do Rio Doce (MG).

Haissander disse em depoimento à Polícia Federal que “acha que parte dos valores depositados para as campanhas femininas (do PSL mineiro), na verdade, foi usada para pagar material de campanha de Marcelo Álvaro Antônio e de Jair Bolsonaro”. O depoimento é ratificado por uma planilha que foi apreendida em uma gráfica e leva a crer sobre essa utilização para parte do dinheiro do esquema de candidatas laranjas do partido em Minas Gerais.

Em resposta, Bolsonaro disparou mais uma vez contra a imprensa: “Vocês (jornalistas) querem me derrubar? Eu tenho o couro duro, vai ser difícil. Continuem mentindo” – mas as informações são da Polícia Federal capitão! Será que a PF está mentindo?

Mas se o couro do capitão é grosso, que dirá o nosso! No ano passado, o número de jornalistas mortos em retaliação por causa do trabalho que fazem quase dobrou, fazendo comparação com o ano de 2017. Durante a Ditadura Militar, que Messias Bolsonaro insiste em dizer que não existiu e que salvou o País da “ameaça comunista”, foram 25 jornalistas torturados e mortos.

Nós não enfrentamos inimigos imaginários, capitão! As bombas e tiros que matam jornalistas em áreas de conflito armado são reais. E quando não nos matam, tentam nos desmoralizar, dizendo que estamos sempre à serviço de alguém, que defendemos interesses escusos ou que estamos sendo pagos. Isso é que é ter couro grosso, capitão!

Nós não somos alvo preferencial apenas de Bolsonaro! Sempre estivemos na mira do ódio de todos os “ditadores” de plantão e seus planos nefastos de poder e de riqueza. É só lembrar a perseguição à imprensa do Ministério da Propaganda do Reich, na Alemanha Nazista, ou os ataques aos veículos de comunicação perpetrados por Donald Trump – a quem Bolsonaro chama de seu ídolo – que classifica a imprensa de “inimiga do povo”.

O problema deles conosco é que mostramos o que eles não gostariam que ninguém visse: seus aparatos de guerra, suas políticas de violência e ódio, seu desprezo pela vida. O mundo vê através das lentes, das câmeras e sente através dos nossos textos o mal que esses homenzinhos disseminam pelo planeta.

No caso de Messias Bolsonaro nós provamos que existe aquilo que ele insiste em dizer que não existe.

Os jornalistas estão em áreas de conflito armado, estão nos acampamentos de refugiados, ou do lado do corpo inerte de uma criança vítima da guerra, ou mostrando o sofrimento de homens escravizados… Estamos em todo lugar e damos voz a quem não tem.

E, acima de tudo, eles nos odeiam porque desconstruímos mitos, desmascaramos heróis, e fazemos super-homens se transformarem naquilo que realmente são, apenas homenzinhos mal-amados e infelizes que assim como todos nós, pobres mortais, daqui a pouco não estarão mais aqui e não deixarão sequer lembranças boas.