Seap impõem duras medidas a detentos após morte de agente e risco de rebelião

O clima de instabilidade no sistema penitenciário após a morte do agente Alexandro Rodrigues Galvão, 37, que foi assassinado dentro do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), no último sábado (1°) e com a possibilidade de uma rebelião, fizeram com que a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) suspendesse as visitas na unidade prisional pelos próximos 15 dias. Já em outras unidades de Manaus e do município de Itacoatiara, a suspensão será apenas neste fim de semana (sexta, sábado e domingo).

Também foi proibida, por tempo indeterminado, a entrada de materiais e alimentos em todo as unidades prisionais da capital e Itacoatiara. As medidas constam na portaria 216-2018 publicada pela Seap, nessa quarta-feira (5). (Veja documento no final da matéria)

Para as determinações, a Secretaria considerou que “a visita, em momento de instabilidade, traz fragilidade para a manutenção da ordem, disciplina e segurança, tanto interna no que tange a vida e integridade física dos servidores do Sistema Penitenciário, quanto externa no que diz respeito aos familiares e à sociedade em geral”, disse na portaria.

A instabilidade foi tornada pública após a veiculação de um vídeo que está circulando nas redes sociais e em grupo de Whatsapp da própria Polícia Militar, no qual a facção criminosa Família do Norte (FDN) “toca”o terror contra a polícia, fazendo ameaças a membros do alto escalão da PM e da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM).

Segundo o texto da portaria, a Seap  também considerou “o alto grau de possibilidade de novas insurgências de proporções iguais ou maiores que as ocorridas no fatídico dia 1 de janeiro de 2017 com a morte não só de internos, mas de servidores públicos, advogados e civis”.

Em caso de descumprimento da portaria, a Secretaria afirma que configura infração administrativa e que poderá resultar em sanções cabíveis.

Rebelião

Em janeiro de 2017, houve um rebelião sangrento que resultou na morte de 56 detentos no Compaj. O motim teria sido resultado de uma possível briga entre facções criminosas que atuam dentro e fora dos presídios.

Confira a portaria na íntegra.