Secretaria de Segurança afirma que ocorrência de crimes caiu 19% no feriado. Falta dizer que coelinho da Páscoa existe

Desde que foi implantado o programa Ronda no Bairro pelo Governo do Estado que, junto com ele, deve ter sido criado um setor de estatística – em lugar incerto e não sabido – porque nunca se ouviu a divulgação de tantos valores percentuais de queda de criminalidade, onde as mortes são contabilizadas, e até os vivos também. No ano passado, deu até arrepio ouvir a seguinte frase: “204 vidas foram poupadas”. A frase veio acompanhada de uma estimativa de que em 2013, de janeiro a setembro, houve uma queda de 28% no número de homicídios comparando-se a igual período de 2012”. Mas, não se deu ênfase de que, em apenas um final de semana, oito pessoas foram mortas. Afinal o que isso significa diante do que comandantes da policia denominam de “percentuais tão animadores” capazes de fazer com que eles digam: “Isso é excelente e inédito na história do Estado”. Seres humanos viraram percentuais, números para corroborar que um programa do Governo deu certo, tenham vida ou não, somente.

Mais animação!

E, em mais um balanço da Secretaria de Segurança Pública (SSP) divulgado nesta terça-feira (22), lá veio uma nova queda de 19% nas ocorrências criminais durante o feriado prolongado de Páscoa, mesmo que em apenas um dia, no sábado houvesse um homicídio triplo, e que 13 pessoas tivessem sido mortas nesse feriado. Tudo isso classificado como “números animadores”.

Peritos revoltados

Após a matéria postada no Radar sobre a falta de estrutura do Instituto de Criminalística do Estado, o assunto (graças a Deus e a jornalistas comprometidos com a informação) tomou conta da mídia local mostrando as mais diversas dificuldades enfrentadas pelos peritos do Estado em busca de fazer Justiça com quem não pode mais pedir por ela.  E peritos do Instituto de Criminalística entraram em contato com Radar pra lá de aborrecidos por conta de declarações da cúpula da Polícia Civil dando a entender que o órgão não é dirigido por um perito por questões de falta de qualificação dos profissionais de área. “A pericia criminal do Amazonas possui a maior qualificação acadêmica da polícia, o maior número de biólogos, físicos, químicos, engenheiros, médicos, odontólogos, cientistas da computação, com mestrado e doutorado em suas áreas, uma equipe multidisciplinar”, rebateram os peritos, questionando: “Se quiser a gente faz um confronto de certificação?”.

Poder e R$ 5 mil

Segundo dirigentes das entidades representativas da categoria o motivo para o cargo de direção do Instituto de Criminalística estar sempre em mãos de delegados e não ocupados pelos próprios peritos estaria no fato de que são postos na polícia que eles denominaram de “cargos de Poder”, somado a uma gratificação de R$ 5 mil reais pela função de chefia. Será essa a explicação?