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Secretário de Saúde fez o maior mise en scène mas não respondeu nada até hoje aos deputados

Há muito já passou o prazo – 20 de outubro – fixado pelo próprio secretário de Saúde, Francisco Deodato, para responder as perguntas dos deputados estaduais em relação ao sistema de saúde pública e o propalado pelo governador Amazonino Mendes “rombo de R$ 1,2 bilhão” no setor. No dia 17 de outubro quando esteve na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), Francisco Deodato, saiu ás pressas e alegou que não dava tempo de responder aos questionamentos dos deputados. Isso seria feito, segundo ele, até o dia 20 do mesmo mês por e-mail. Mas, tudo não passou daquilo que a gente conhece bem em política, o chamado “mise em scéne” (jogo de cena).

E não é que os deputados acreditaram no jogo de cena gente! Vários deles fizeram questionamentos ao secretário Francisco Deodato, como por exemplo, Serafim Corrêa (PSB), Luiz Castro (REDE), Dr. Gomes (PSD), José Ricardo (PT), Abdala Fraxe (Podemos), Platiny Soares (DEM), Augusto Ferraz (DEM) e Belarmino Lins (PROS).

Durante vários dias da semana passada, o Radar procurou saber qual foi o retorno dado pelo secretário aos parlamentares estaduais. O deputado José Ricardo (PT) afirmou que nenhuma das informações sobre problemas e até rombo na saúde foi esclarecido. Ele confirmou que o secretário não enviou resposta até o momento.

“Não respondeu nenhum questionamento. O secretário esteve na Assembleia, questionei e cobrei informações sobre o rombo de R$ 1,2 bi que o próprio tinha anunciado, mas ele acabou não respondendo, não trazendo justificativa e não entregando nada por escrito”, afirmou o parlamentar ao ressaltar que ainda defende a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar desvios na saúde.

Conforme o deputado, é preciso verificar todos os contratos e avaliar a questão das empresas terceirizadas. “Nós vimos agora uma decisão da Justiça do Trabalho pedindo o bloqueio de R$ 20 milhões só para indenizar funcionários que não receberam de empresas terceirizadas. Tem que ser feito algo de efetivo nessa área”, disse.

Serafim Correa (PSB) afirmou que recebeu uma carta, segundo ele, muito educada, mas sem resposta. Ele disse que o secretário pediu tempo para estar por dentro de toda a situação da saúde – ou seja, ele não tem conhecimento dos problemas da pasta. “Ele, muito educado, disse que precisaria de mais tempo para responder os meus questionamentos. Eu entendi e vou dar mais esse tempo”, disse.

O deputado afirmou que a saúde do Amazonas não tem solução ‘nem que fique com a casa da Moeda à disposição’ e ressaltou que o único caminho de solução é reverter a terceirização no Estado que, segundo ele, está desproporcional. “Nós temos que vir para as regras do Sistema Único de Saúde (SUS). Tem muita coisa errada”, afirmou.

O deputado Abdala Fraxe (Podemos) disse que ainda não recebeu nenhuma resposta do secretário. Ele destacou que mesmo questionamento mais simples ainda não obtiveram respostas.

“A mim não chegou resposta. Ele enviou um posicionamento genérico. O meu questionamento foi muito simples. Era se esse déficit foi criado do dia 9 de maio ao dia 4 de outubro – Davi Almeida era o governador – e não recebi resposta até agora”, reclamou.

Secretário desmente deputados

Desmentindo o que afirmaram os deputados, o secretário Francisco Deodato informou que protocolou, dentro do prazo, todas as respostas nos gabinetes dos parlamentares que fizeram questionamentos a ele na Assembleia Legislativa.

A informação chegou ao Radar por meio de uma nota enviada pela assessoria da Susam.