Secretário de Saúde vai à Assembleia mas dá “cruz credo” para debate em plenário; lugar seguro é a comissão de Nicolau

Sabendo que se for marcada, com antecedência, audiência pública em plenário e, como deveria ser, o público for avisado – o que não acontece na Assembleia Legislativa quando o tema envolve críticas ao Governo – vai estar na mira de cidadãos revoltados com o atendimento público de saúde e vai ser alvo de questionamentos dos deputados de oposição, o secretário de Saúde do Estado, Pedro Elias, foi ao Legislativo estadual, nesta quinta-feira (04), mas na surdina, sem aviso prévio, e passou longe do plenário, indo participar de uma “audiência pública” – onde o que menos tinha era público – lá na comissão de Saúde, presidida pelo deputado Ricardo Nicolau (PSD).

O secretário, desde que chegou a Assembleia, foi escoltado pela “tropa” de parlamentares governistas, liderados pelo líder do Governo do professor Melo, deputado Davi Almeida (PSD). O único “estranho no ninho” governista, o deputado de oposição José Ricardo Wendling (PT) ficou deslocado na tal audiência pública, realizada por Nicolau, ouvindo o secretário de Saúde fazer algo que os governistas denominaram de “análise e discussão dos investimentos e ações do Executivo na área” – onde não se viu ninguém analisar nada e muito menos discutir – e onde os dados mostraram uma saúde pública parecida com a da Suiça.

O mediador, o próprio presidente da comissão de Saúde, Ricardo Nicolau, não teve que mediar nada, já que tudo que era dito pelo secretário era tomado como verdade absoluta.  O titular da Susam apresentou um relatório referente às atividades dos 2º e 3º quadrimestres de 2015, com o detalhamento da aplicação de um orçamento que ele jurou de pé junto ter sido de R$ 2,720 bilhões naquele ano. “Desse montante, tivemos de aportar recursos de R$ 540 milhões para conseguir finalizar todas as ações de saúde que estavam previstas. Graças às medidas de contenção e ajustes na estrutura administrativa do governo”, afirmou.

Assim como o governador, Pedro Elias insistiu em dizer que o Amazonas está em primeiro lugar no País como o Estado que mais investe em saúde, mas sequer tocou no assunto das denúncias que são feitas sobre o caos na saúde, deficiências graves no setor médico-hospitalar. (Any Margareth)