Secretário diz que está “rezando todo dia um pouco mais” pra que seja aprovado aumento de impostos

Olha, gente, vou logo dizendo que não foi eu quem gravei o áudio da entrevista dada pelo secretário de Estado da Fazenda, Jorge Eduardo Jatahy ao empresário da Comunicação, Ronaldo Tiradentes, mas caso alguém não tivesse gravado e enviado ao Radar, euzinha não acreditaria nem que jurassem sobre a Bíblia que aquilo era verdade. Afinal, dá pra acreditar, se alguém simplesmente contasse, que um secretário de Fazenda afirma que “a gasolina não é um gênero essencial” e encerra uma entrevista, falando que tem pedido a intervenção de Deus para aprovação de um projeto que aumenta impostos?

“Eu estou rezando todo dia mais uns cinco minutos pra que isso (projeto que aumenta o ICMS de diversos produtos, inclusive da gasolina e do diesel) passe na Assembleia porque se isso não passar nós teremos que ir atrás de outras alternativas”, diz o secretário metendo Deus numa estória que passa longe da vontade divina e mais próximo mesmo é da vontade do governador de arrecadar cerca de R$ 300 milhões com aumento de impostos, segundo estimativa feita pelo próprio Jorge Jatahy.

A entrevista é quase toda um relato cheio de absurdos por parte do secretário com a devida aprovação do dono da rádio e dublê de entrevistador que decide inclusive opinar sobre quem deveria pagar mais impostos. Tiradentes interrompe o secretário pra dizer que a “Coca-Cola deveria pagar mais impostos a muito tempo” – pimenta no olho dos outros é refresco, né gente?

Pra não citar todos os absurdos ditos pelo secretário de Fazenda, até porque esse texto ficaria gigantesco, o Radar não resiste em lembrar que o secretário falou que o aumento da carga tributária é sobre produtos supérfluos mas, ao mesmo tempo, não soube explicar o que é supérfluo dizendo apenas que “o que é supérfluo e o que não é, é muito complicado. É uma questão conceitual, subjetiva” – entendeu? Nem eu!

E pra piorar, na visão do secretário, a intenção do Governo de aumentar impostos está causando muita polêmica na imprensa porque esses produtos são da elite que interfere no que sai na imprensa. “Esses setores mais organizados, que têm mais força e que consomem gasolina e consomem esses outros produtos mais de elite têm mais organização e conseguem colocar na mídia o seu posicionamento”, avalia o secretário, como se vivesse num mundo paralelo onde pobre não compra gasolina, não anda de canoa, não usa sabonete e nem pasta de dente. E sequer tem direito a tomar uma cervejinha pra relaxar sem pagar mais ICMS. (Any Margareth)