Secretários de Adail: presos e cassados

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Presidente do Coariprev, Emidio Rodrigues, foi preso sob acusação de desvio de recursos da previdência

Foi só Adail Pinheiro retornar ao Poder em Coari, assumindo a cadeira de chefe do Executivo após vencer as eleições de 2012, para “resgatar” seus antigos companheiros de grupo político. Aos poucos eles têm retomado postos de poder de onde foram retirados na base da cassação de mandato eleitoral ou através de prisão por denúncias de corrupção. Pelas mãos de Adail Pinheiro, foi assim que foi parar lá na Secretaria de Gás e Petróleo, o ex-vereador Adão Martins da Silva, e na Secretaria de Agricultura e Infraestrutura Rural, o também ex-vereador José Henrique de Oliveira Freitas, ambos cassados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2009, por abuso de poder econômico e conduta vedada a agentes públicos. Eles e o prefeito Adail Pinheiro promoveram uma festa de Dia das Mães onde foram distribuídos brindes no valor de mais de R$ 4milhões.

Para a representação de Coari em Manaus, em substituição ao seu filho Adail Pinheiro Filho que ocupou o cargo durante meses de 2013, Adail Pinheiro nomeou em janeiro desse ano, João Luiz Ferreira Lessa, preso em 2008 na Operação Vorax , junto com outros secretários de Adail e funcionários da Prefeitura, todos acusados pela Polícia Federal de fazerem parte de um esquema de fraudes em licitação que desviou milhões dos cofres públicos. No início de 2013, logo no início da atual administração de Adail Pinheiro, ele estava nesse mesmo posto, o de representante do município em Manaus, mas de repente deixou o cargo para assumir a Secretaria de Saúde, no lugar do médico Ricardo Farias, que segundo fontes do Radar decidiu deixar o cargo de secretário por não concordar com a destinação dada pelo prefeito aos recursos de um convênio com o Ministério da Saúde, no valor de R$ 4 milhões.  João Luiz Ferreira Lessa passou apenas três meses no cardo de secretário de Saúde e agora retorna para a representação do município.

Mas, o caso que mais chama a atenção no secretariado de Adail Pinheiro foi a nomeação do ex-servidor do INSS no Amazonas, Emídio Rodrigues Neto, exonerado do cargo efetivo do órgão, no início de 2012, “a bem do serviço público”. Ele e outros 12 servidores do INSS foram presos em 2004, na Operação Matusalém, sob a acusação de pertencer a uma quadrilha de funcionários da previdência que cobrava parcela das dívidas das prefeituras debitando diretamente na conta em que as administrações recebiam os repasses do Fundo de Participação dos Municípios. Segundo a Polícia Federal, muitas vezes os débitos cobrados a mais geravam valores a serem restituídos. Com isso, os servidores se ofereciam para agilizarem os processos de ressarcimento, cobrando propinas que variavam de 15 a 20%.

Emídio Rodrigues chegou a ser prefeito em exercício em Coari, em 2009, após a cassação dos mandatos de Adail Pinheiro, seu vice, Rodrigo Alves, do presidente da Câmara de Coari e do vice-presidente, todos por crime eleitoral. Como era o próximo na hierarquia de poder municipal, já que na época era 1° secretario da Câmara de Coari, Emídio assumiu a prefeitura, de onde saiu após a realização de eleições suplementares no município, e embaixo de denúncias feitas ao Ministério Público pelo prefeito eleito de que cerca de R$ 16 milhões teriam sumido das contas da prefeitura. Pois, Emídio Rodrigues foi escolhido por Adail Pinheiro exatamente para ocupar o cargo de presidente do Instituto de Previdência do Município de Coari, o Coariprev. (Any Margareth)