Seduc estaria fazendo cobranças abusivas para não efetivar professores que passaram em concurso público

professora greicy

Em Cessão de Tempo realizada nesta quinta-feira (11), proposta pelo deputado José Ricardo Wendling (PT) e cedida pelos demais parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), a representante do movimento dos professores, Gleice Oliveira, denunciou a irregular cobrança aos educadores da rede estadual de ensino que estão em estágio probatório pelo último concurso público realizado em 2011: obrigatoriedade de realizarem curso de formação online, de 2 horas diárias, pelo Centro de Políticas Públicas de Avaliação e Educação (Caed) da Universidade Federal de Juiz de Fora/MG, e serem aprovados numa avaliação final como pré-requisito para serem efetivados na Secretaria de Estado da Educação (Seduc).

De acordo com a professora, essa obrigatoriedade é irregular e inconstitucional, porque não estava prevista no edital desse concurso público. “Os professores passaram nesse concurso e demonstraram a sua competência e capacidade para assumir a função de formadores de crianças e de adolescentes. Como é que dois meses depois de assumirem as suas cadeiras, ainda em 2012, a Seduc lhes impõe essa exigência para serem efetivados? Isso é uma completa excrescência”, declarou.

Outro ponto questionado por Gleice Oliveira é que esse curso deve ser feito fora do expediente normal de trabalho e sem prestar as mínimas condições aos professores, como por exemplo, acesso à internet. “Não há internet nas escolas para os educadores realizarem esse curso. E, por isso, são obrigados a pagar internet fora, com medo de serem demitidos”.

Para ela, se nada for feito, haverá uma demissão em massa de professores estaduais, já que o estágio probatório termina em dezembro deste ano. “Porque já sabemos que somente em uma coordenadoria da Seduc, das sete existentes, já existe uma lista com 700 professores reprovados nesse curso online por falta de acesso à internet. Imagina o que ainda vem por aí”, alertou o professora, informando que já estiveram na Seduc para tentar reverter essa situação, mas sem sucesso. “Os educadores sentem-se perseguidos e ameaçados; muitos já sofrendo de depressão. Por isso, pedimos aos senhores deputados que intercedam por esses professores”.

O deputado José Ricardo disse que essa situação é preocupante e que o Estado precisa se posicionar. “Temos falta de professores e ainda demitir centenas por falta de internet é um absurdo. Sou a favor de cursos de formação, que qualifiquem o professor a melhorar cada vez mais seu desempenho em sala de aula, mas não podemos aceitar que seja dessa forma e com esse pré-requisito. As escolas sofrem com sérios problemas estruturais, como falta de internet, e isso presenciei nas cerca de cem escolas que visitei ao longo deste mandato, tanto na capital quanto no interior. Se na capital já é difícil o acesso à internet, no interior é pior ainda. Além disso, esses cursos não podem ter caráter eliminatório a ponto de resultar em demissão do professor”, relatou ele, que irá cobrar do Governo do Estado um posicionamento sobre essa questão, como ainda do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam).