Segurados da Prevent Senior fazem abaixo-assinado com medo de perder convênio

Amanda Perobelli/Reuters

Em meio a denúncias contra a Prevent Senior, clientes do plano de saúde temem sair prejudicados. Por isso, o grupo Amigos da Prevent, que reúne 54 mil pessoas no Facebook, divulgou um abaixo-assinado em que pede às autoridades “maior responsabilidade nas apurações e divulgação, em respeito aos milhares de beneficiários que poderão ser afetados”.

Hospedada no site change.org, a petição foi colocada no ar no domingo (26) e, até esta quinta-feira (30) à noite, reunia mais de 6.700 assinaturas. No texto, o grupo também diz esperar da Prevent Senior “total transparência neste momento e que os serviços de saúde prestados se mantenham com a mesma qualidade”.

A Prevent Senior, que tem 550 mil segurados, entrou no radar da CPI da Covid após o recebimento de um dossiê de 15 médicos da operadora. No documentos, eles relatam que pacientes, sem consentimento, foram usados como cobaias para estudos com remédios contra a Covid-19. A empresa também é acusada de fraudar atestados de óbito.

Além do Senado, a Câmara Municipal de São Paulo aprovou, nesta quinta-feira (30), uma CPI para investigar a Prevent Senior. Na Assembleia Legislativa de São Paulo, existe também um projeto de uma CPI. Na segunda-feira (27), foi protocolado requerimento por deputados. Para entrar em funcionamento, porém, a CPI ainda precisa ser aprovada em comissões e no plenário.

“Não queremos ser esquecidos”, diz Maria Cândida Quintale, aposentada e uma das coordenadoras do grupo. “Ficamos assustados não com o convênio, mas preocupados de acontecer alguma coisa com a empresa e a gente ficar sem atendimento.”

Quintale avalia que se, for provado que a empresa cometeu, de fato, irregularidades, ela deve responder. “Mas, por enquanto, estamos aguardando”, diz ela, que pondera que, mesmo que a operadora seja julgada culpada, não acredita que todos os médicos estariam envolvidos nos problemas.

“Se houve uma equipe ou alguém da administração que cometeu algo, tem que ser punido, mas não punir a empresa porque a grande maioria não deve estar envolvida nisso”, afirma.
Apesar das denúncias, ela diz manter a confiança na operadora de saúde. Cita que seu marido vai realizar, na próxima semana, uma cirurgia no coração. “Se eu estivesse preocupada com o mau atendimento, eu ia colocar meu marido no hospital deles? De jeito nenhum.”

Sueli Eid coordena outro grupo no Facebook, chamado simplesmente Prevent Senior, que reúne 18 mil beneficiários do convênio. Desde o início da CPI da Covid, ela relata, recebe diariamente mensagens de segurados preocupados com o futuro da empresa.

“A maioria é formada por idosos que vieram de outros convênios”, conta ela. “Queremos continuar tendo cobertura, independente do que acontecer na empresa.”
Eid comenta que, dentro do grupo, é comum que ocorram discussões, já que a grande maioria acredita na inocência da empresa. Assim, ela diz, quando alguém fala mal da operadora, chegam a ela pedidos de usuários para que o crítico seja removido do grupo.

Porém, a administradora garante manter a pluralidade. “Eu digo que não é assim e argumento que eles têm que entender que tem gente que pensa diferente”, diz.
Por meio de nota, a Prevent Senior informa que a empresa respeita o manifesto dos beneficiários, mas “pede para que fiquem tranquilos”.

O comunicado garante que a “empresa tem solidez, manterá a qualidade dos serviços prestados e continuará cuidando de pessoas”. Além disso, a operadora afirma que repudia “as denúncias anônimas levadas à CPI e acredita que investigações técnicas no âmbito judicial chegarão à verdade dos fatos”.

Advogados da área da saúde afirmam que, hoje, não há indício para tamanha preocupação dos beneficiários.
Elton Fernandes, especializado em causas relacionadas a planos de saúde, analisa que se trata de uma empresa muito capitalizada, com lucro líquido alto. “O Estado não tem qualquer interesse de que uma operadora que atende idosos vá a falência”, avalia ele.

Também advogado, Gabriel Massote Pereira concorda que ainda não há dados para tal alarmismo. Ele explica que caso, em última instância, a empresa quebre, a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), normalmente, intervém para que os beneficiários desassistidos possam migrar sem carência para outras operadoras.