Sem Ciro, PDT suspende Tabata e outros 7 que votaram a favor da Previdência

O presidente do PDT, Carlos Lupi, anunciou hoje a suspensão provisória da deputada federal Tabata Amaral e outros sete colegas que votaram a favor da reforma da Previdência contrariando a orientação do partido.

Lupi e os membros da Executiva nacional, da Comissão de Ética e de movimentos sociais se reuniram hoje em Brasília para começar a debater a instauração de processos disciplinares. A expectativa é que todo o processo dure de 45 a 60 dias.

De acordo com o rito estatutário, os envolvidos terão prazo para apresentação da defesa. Ao final desse período, a direção nacional do PDT decidirá se expulsa ou não os oito dissidentes ou se toma alguma outra medida administrativa.

A assessoria de imprensa de Tabata Amaral informou ao UOL que a deputada não vai se manifestar sobre o assunto.

Segundo Lupi, a punição aplicada hoje impede que os parlamentares “falem em nome” do PDT ou utilizem a estrutura da legenda. O líder na Câmara, André Figueiredo (PDT-CE), será orientado a pedir a retirada dos dissidentes das comissões na Casa.

“Os oito parlamentares estão com as suas atividades partidárias e de representação na Câmara suspensas. Nenhum desses oito pode falar em nome do partido, ter função em nome do partido ou participar da direção do partido até a decisão final do diretório nacional”, Carlos Lupi, presidente do PDT.

Tabata e os colegas que votaram a favor da reforma não participaram da reunião partidária. O vice-presidente do PDT, Ciro Gomes, também não pôde comparecer. Ele já havia confirmado presença em um evento em Salvador antes da convocação para o encontro de hoje.

O presidente do PDT disse acreditar que a Comissão de Ética entregará o relatório no prazo mínimo de 45 dias, o que possibilitaria a convocação da direção nacional, a quem cabe decidir ou não pela expulsão, entre setembro e outubro.

Possibilidades de punição

Segundo Lupi, o parecer da Comissão de Ética pode orientar três opções:

  • expulsão da legenda
  • manutenção da suspensão
  • outra advertência mais branda

O pedetista também observou que o julgamento deixa a legenda em um dilema, pois a expulsão é considerada por muitos internamente como uma forma de “premiação”. “A pessoa força a expulsão a vai para onde quer”, justificou Lupi.

Por outro lado, destacou ele, se o partido não punir com severidade aqueles que contrariarem uma determinação do comando da sigla, isso poderia desmoralizar a instituição. “Significa dizer: para que serve partido? Não é [uma decisão] simples. Por isso que a gente vai esperar a Comissão de Ética amadurecer.”

Além de Tabata, serão alvo de processos disciplinares os deputados: Alex Santana (BA), Subtenente Gonzaga (MG), Silvia Cristina (RO), Marlon Santos (RS), Jesus Sérgio (AC), Gil Cutrim (MA) e Flávio Nogueira (PI). No total, a bancada do PDT na Câmara é formada por 27 parlamentares.