Sem conseguir cumprir a quase totalidade das promessas, Artur vai à Câmara prestar contas e falar de metas para 2016

A exemplo do que aconteceu na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), no dia 01 de fevereiro, quando o governador José Melo (PROS) fez a leitura de sua Mensagem Anual na abertura dos trabalhos legislativos da Casa, o prefeito Artur Neto (PSDB) também estará na Câmara Municipal de Manaus (CMM), na manhã dessa segunda-feira, 15 de fevereiro, para “fazer um balanço de sua administração e apresentar metade a serem executadas”, conforme explicação dada pela própria comunicação da Prefeitura.

No caso da Mensagem Anual do governador, as atenções se voltaram para um acontecimento, na maioria das vezes, meramente formal, que ocorre todos os anos, por conta principalmente da curiosidade sobre o discurso do Chefe do Executivo, José Melo (PROS), cassado pelo Tribunal regional Eleitoral (TRE). Esse também é tema comum, desde os corredores das Casas políticas até em mesa de bar: “Será que o prefeito Artur Neto vai se manifestar sobre a cassação de seu aliado político e, pelo que tudo indica, principal apoiador nas próximas eleições? Ou será que vai dar “cruz credo” e fingir que nem ouve cassação?

Também tem muita gente de camarote esperando o prefeito Artur Neto fazer o tal “balanço de sua administração” e falar de metas. Balanço de quê mesmo, hein? E as metas, em forma de promessas de campanha, que não foram atingidas? Será que vai falar nisso? Ou vai ter “amnésia” política? Afinal, o prefeito Artur Neto não conseguiu tornar real a quase totalidade do seu Plano de Governo, entregue e registrado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), promessas que o fizeram voltar à Prefeitura de Manaus após 23 anos sendo rejeitado em eleições para o Executivo Municipal.

Artur e as promessas

            Para ganhar as eleições municipais de 2012, o então candidato a prefeito Artur Neto decidiu “guerrear”, até mesmo no campo das promessas de campanha, com sua adversária Wanessa Grazziotin (PC do B). Wanessa prometeu, se eleita, construir 100 creches, Artur adicionou mais 10 a esse número, prometendo 110 creches. A promessa não foi cumprida. Em agosto do ano passado, uma pesquisa nacional do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul, apontou Manaus como a cidade que ocupava o penúltimo lugar em construção de creches no País.

E, além das 110 creches, Artur disse que iria construir 25 escolas de tempo integral, em tudo que é bairro. Também ficou na promessa. E, se creche e escola faz pensar em criança e, por conseguinte, na mãe dessas crianças, qual a mulher que não queria estudar na “Escola da Mulher” prometida por Artur Neto? Mas, a Escola da Mulher ficou só no Plano de Governo registrado lá no Tribunal Regional Eleitoral.

Assim também nasceram, no papel e na propaganda política, o Projec, um programa que seria criado para oferecer cursos profissionalizantes para os jovens de Manaus, tirando-os do ócio e do vício, e também o Instituto Zona Franca que, em parceria da Prefeitura de Artur Neto com as empresas do Distrito Industrial, iria formar mão de obra local para o Parque Industrial de Manaus.

Curumim com fome

E uma promessa que sensibilizou quem viu e ouviu a propaganda política de Artur Neto foi o programa “Curumim Saudável”, onde profissionais qualificados teriam ao seu dispor alimentos em qualidade e quantidade para trabalhar um cardápio de merenda escolar saborosa e saudável, levando em consideração a faixa etária das crianças, deficiências de proteínas e vitaminas, restrições médicas e demais necessidades. Mas, o curumim acabou foi ficado sem merenda escolar ou tendo que comer pirão de farinha, ou bolacha dura com suco de saquinho.

Na área de saúde, as duas maternidades que iam ser construídas ficaram no verbo no tempo passado (iam), assim como o aumento das equipes de saúde de 161 para 325, além dos 7 exames pré-natais para as gestantes, e o programa especializado em gravidez de alto risco, sem contar com a revitalização da Santa Casa de Misericórdia que seria municipalizada. Essa promessa desmoronou junto com a Santa Casa.

Cadê a água?

            E aquela jura – estou usando outra palavra porque deu até canseira de ficar escrevendo a expressão promessa – de água em mais de 500 mil torneiras de todos os bairros da Zona Norte e Leste, através do Proama, não trouxe uma gota d’água para muitas das torneiras de Manaus, a não ser o vento que sai da bica e faz o cara pagar pra Manaus Ambiental conta de água por uma água que ele não recebe. Sem falar na tarifa de esgoto que faz a conta d’água dobrar de valor e o cidadão pagar pra ter fezes saindo pelo cano da rua – e depois ainda querem combater Aedes Aepypti sem saneamento básico.

O tal do BRT – Bus Rapid Transit -, nada mais do que um arremedo do Expresso do Alfredo – nem chegou na “parada”. O projeto de Mobilidade Urbana veio a existir no papel apenas no segundo semestre do ano passado e, pode nem sair do papel, porque os notáveis técnicos pagos a peso de ouro pela Prefeitura de Manaus perderam os prazos e acham que o Governo Federal tem que esperar a boa vontade deles mostrarem onde vão usar o dinheiro federal para esse setor.

O que foi feito em se tratando de mobilidade urbana fora as denominadas faixas azuis, onde um monte de gente morreu atropelada e acidentes são comuns, e as Ciclovias de Canteiro, que não passa de pintura no chão, acima do nível da rua, sem grades de proteção e beiras de canteiros quebrados, onde o ciclista dá de frente com retornos de veículos.

E essas são apenas as principais promessas. Tem mais uma dezena delas, como por exemplo a Secretaria Municipal de Segurança Pública, que seria muito bem-vinda em época de violência crescente, mas que ficou no discurso. E por falar em discurso, nesta segunda-feira (15), lá vem mais um, em forma de Mensagem Anual. E, assim como fez o governador José Melo, será que ele estará “recheado” de promessas antigas e não cumpridas? (Any Margareth)