Sem educação, sem saúde, sem vacina…Todos juntos vamos, pra frente Brasil! Salve a Seleção!

Passei horas na dúvida atroz sobre qual seria o título desse texto. Num momento ele era intitulado “O Brasil de Messias Bolsonaro” e, de repente, o título que me vinha a cabeça era “A política do pão e circo voltou, só que sem pão” e, em dado momento, esse texto ia se chamar “Esse Brasil de Messias Bolsonaro que eu não amo”. Foram tantas as dúvidas que cheguei até em pensar, com essa minha cabeça viajandona, de nominar esse texto como “O primeiro texto sem título da minha vida”.

A questão central da minha dúvida era achar um título que traduzisse aquilo que ando sentindo, um misto de raiva e de tristeza, por saber que o povo do meu país voltou a ser massa de manobra, o admirável gado novo que se satisfaz com um circo de um palhaço só – preciso dizer quem é o palhaço?

Retroagimos no tempo e voltamos aos anos 70, anos de governos militares como do presidente Emilio Garrastazu Médici – governos que Messias Bolsonaro idolatra – acabavam com direitos civis e aumentavam a repressão, a tortura e a morte, tudo isso escamoteado por campanhas de patriotismo exagerado com slogans como “Ninguém segura esse país”, “Brasil; ame-o ou deixe-o”. Os militares se apropriaram até mesmo do slogan da Copa: “Pra frente Brasil”.

Nesse período, acontecia o “milagre econômico” de Médici onde os ricos ficaram mais ricos e a classe média aumentou seu poder de compra, tudo isso as custas dos mais pobres a quem foi imposto arrocho salarial e uma queda real de até 50% no salário-mínimo. Mas esse povo pobre, que cada vez ficava mais miserável, era o mesmo que cantava: Todo juntos vamos, pra frente Brasil! Brasil! Salve a Seleção! – escreviam até seleção de futebol com letra maiúscula.

Essa é a mesma cara do Brasil de Bolsonaro, com um corte de 27% na já combalida educação pública, única alternativa para os filhos dos mais pobres terem perspectiva de futuro. Em plena pandemia, a saúde passará por um corte de R$ 34 bilhões, não importando o fato de que a pandemia não acabou e nem que brasileiros vão precisar se curar das sequelas deixadas pela Covid-19.

O orçamento que aumentou foi aquele destinado à guerra invisível do Messias Bolsonaro, onde não interessa gente com diploma e nem pobre saudável. “Brasileiro pula até em esgoto e não acontece nada”, prega o presidente Messias. As Forças Armadas contaram com um aumento de R$37,6 bilhões para investimento na área Fiscal e da Seguridade Social. A LOA 2021 também manteve o reajuste salarial dos militares, com um impacto de aproximadamente R$7,1 bilhões para os cofres brasileiros.

Mas dá futebol pro povo que ele fica feliz. Simples assim! E não importa se estamos chegando a meio milhão de mortos pela Covid-19, se tem pouca vacina, não importa nem mesmo se os hermanos argentinos não quiseram a Copa América por lá, levando em consideração as novas variantes do coronavírus e a possibilidade de uma nova onde Covid-19. O Brasil quer a copa e Messias Bolsonaro “ama” futebol.

No Brasil de Bolsonaro, o povo só precisa de um jogo de futebol e um Messias fake pra adorar.