Sem fiscalização, barragens ameaçam a população e o meio ambiente

A Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo (CDR) promoveu uma audiência pública em Teresina (PI) sobre a segurança de barragens e o papel dos órgãos fiscalizadores. Os debatedores alertaram para o risco de novos acidentes em barragens no país.

O tema ganhou mais atenção depois do desastre ambiental em 2015 na cidade de Mariana, em Minas Gerais, que matou 19 pessoas, soterrou o distrito de Bento Rodrigues e o poluiu o Rio Doce com metais pesados, um rastro de destruição até o litoral do Espírito Santo. No ocasião, rompeu-se uma barragem da mineradora Samarco, sócia da Vale.

O senador Elmano Férrer (Pode-PI), que requereu a audiência, destacou que apenas pouco mais da metade das quase 23 mil barragens no país tem algum tipo de autorização para construção. Além disso, mais de 80% de todas as barragens, várias construídas há 90 ou 100 anos, não foram classificadas quanto à categoria de risco.

Durante a audiência, o senador manifestou preocupação com a falta de uma política nacional para manutenção das barragens.

— Em cem anos não teve nenhum programa ou ação governamental para manutenção de todas as barragens civis — ressaltou.

O representante da Federação das Indústrias do Piauí (Fiepi), Freitas Neto, que foi governador e senador pelo estado, lembrou que várias comunidades nordestinas estão preocupadas com a possibilidade de algum desastre causado pelo rompimento de barragens.

— Nós sabemos que o Nordeste tem muita barragem em situação crítica que vem preocupando as populações, as autoridades estaduais e as autoridades municipais.

Fonte: Agência Senado.