Sem respirador, equipe médica faz cirurgia com ventilação manual em paciente na Maternidade Ana Braga

Foto: Reprodução

O caos na saúde pública do Amazonas está cada vez mais evidente, mesmo quando os casos não têm relação com os atendimentos referentes ao novo coronavírus.

Desta vez, o respirador do Centro Cirúrgico da Maternidade Ana Braga, localizada na zona Leste de Manaus, não estava funcionando e, para salvar a vida de um paciente que estava no centro cirúrgico, os médicos tiveram de realizar a cirurgia com ventilação manual.

Conforme imagens que chegaram ao Radar nesta terça-feira (19), a própria equipe médica precisou fazer a ventilação manualmente durante toda a cirurgia. Nas imagens, é possível ver o profissional de saúde fazendo a movimentação no aparelho, enquanto a paciente está na maca.

Mesmo com todas as tentativas de estabilizar a paciente e realizar o parto, o bebê prematuro não resistiu e foi a óbito durante o parto. A paciente foi transferida para uma Unidade de Terapida Intensiva (UTI) materna na Maternidade Balbina Mestrinho.

Respiradores

No início de abril, o Governo do Amazonas realizou uma compra milionária de 28 respiradores em uma loja vinhos. A situação virou polêmica e chamou atenção da imprensa local e nacional, além dos órgãos de controle para fiscalização dos gastos do Estado durante a pandemia.

Vale destacar que, segundo relatório apresentado pelo Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam) após inspeção no hospital de campanha Nilton Lins, no dia 18 de abril, os respiradores comprados na loja de vinhos não são adequados para UTI. 

Resposta

Após ser procurada pelo Radar, a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) informou, em nota, que o respirador apresentou falha operacional no momento da cirurgia e que a decisão de manter a paciente sob ventilação manual foi da equipe médica.

Leia a nota na íntegra:

“A Secretaria de Estado de Saúde (Susam) informa que empreendeu todos os esforços no sentido de dar assistência à paciente, grávida de 27 semanas e com quadro grave de covid-19,  desde a transferência dela, via sistema de regulação,  do Hospital de Campanha da Prefeitura de Manaus, onde recebeu os primeiros atendimentos,  para a maternidade Ana Braga.

A Susam esclarece que o equipamento apresentou uma falha operacional no momento da cirurgia, no caso uma rachadura no circuito Y do aparelho. A equipe de cirurgia teve a disposição um segundo equipamento. A decisão de manter a paciente sob ventilação manual foi da própria equipe médica, pela instabilidade do quadro da gestante.

O parto cirúrgico foi realizado porém, o  bebê prematuro extremo de 27 semanas, não resistiu indo a óbito durante o parto. A paciente foi transferida para uma UTI materna na  maternidade Balbina Mestrinho, onde recebe assistência especializada.