Senado aprova em segundo turno PEC Emergencial

Agência Senado / Marcos Oliveira

O Senado aprovou, no início da tarde de hoje, em segundo turno, o texto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 186/2019, conhecida como PEC Emergencial. O texto,que agora segue para análise da Câmara dos Deputados,cria mecanismos de ajuste fiscal e permite a retomada do pagamento do auxílioemergencial durante a pandemia decovid-19.

Depois de pressões de senadores para limitar os gastos, o relator da proposta, senadorMárcio Bittar (MDB-AC), apresentou nova versão do seu parecer. Nela, o benefício será pago por fora do teto de gastos do Orçamento e do limite de endividamento do governo federal.A ajuda, no entanto, ficarálimitadaa um custo total de R$ 44 bilhões.Antes, não havia, no texto, limite para o pagamento do auxílio em 2021.A primeira versão do auxílio ultrapassou os R$ 300 bilhões de custo total e foi paga a cerca de 68 milhões de pessoas.

Desta vez, o valor do benefício e a quantidade de parcelas será definida depois da aprovação da PEC no Congresso, por meio de medida provisória.

Para garantir o pagamento do auxílio por mais alguns meses,o texto mantém os chamados gatilhos, medidas acionadas automaticamente nomomento emque as despesas atingirem um certo nível de descontrole. Entre essas medidas, estão barreiras para que União, estados ou municípios criemdespesas obrigatórias ou benefícios tributários. Além disso, também estarãoproibidos de fazer concursos públicos ou conceder reajustes a servidores. A versão inicialda propostaprevia também a possibilidade de redução temporária de salários e jornada de servidores, mas, em acordo com o governo, esse trecho foiretirado.

Para viabilizar a votação, o principal recuo no texto foi a retirada do ponto queprevia o fim dos valores mínimos a serem gastos pelo governo com saúde e educação.Na versão aprovada, estadoscontinuamobrigados a destinar 12% de seus recursos para a saúde e 25% para a educação. O gasto mínimo em saúde, previsto na Constituição, é de 15% da receita corrente líquida, no caso da União. Para a educação, o governo federal tem de aplicar ao menos 18% da receita de impostos. O piso de gastos nas duas áreas não pode ser reduzido e precisa ser corrigido pela inflação do ano anterior.

Outro item retirado do texto da PECfoio fim dos repasses do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).Hoje, um mínimo de 28% da arrecadação do PIS/Pasep, que abastece o FAT, vai para o financiamento de programas do BNDES.

Depois da promulgação da Emenda Constitucional Emergencial, a Constituiçãoterá um regime orçamentário excepcional para situações de calamidade pública. Durante a vigência desse estado, a União deve adotar regras extraordinárias de política fiscal e financeira e de contratações para atender às necessidades do país, mas somente quando a urgência for incompatível com o regime regular.

Nessa condição, as proposições legislativas e os atos do Executivo com propósito exclusivo de enfrentar a calamidade e suas consequências sociais e econômicas, por exemplo, ficam dispensadas de observar várias limitações legais, desde que não impliquem despesa obrigatória de carátercontinuado.

Entre as regras que ficam suspensas está a proibição de concessão ou ampliação de benefício tributário que gere renúncia de receita. Também estão suspensos os limites e condições para contratação de operações de crédito. O regime extraordinário também permitirá a adoção de contratação simplificada de pessoal, em carátertemporário e emergencial, e de obras, serviços e compras.

Durante a sessão dehoje, que ocorreu de forma semipresencial, com a participação de senadores direto do plenário e de outros remotamente, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco ( DEM-MG), anunciou que sessões plenárias voltam a ser somente virtuais a partir da próxima semana A decisão foi tomada depois do agravamento da pandemia com número recorde de mortos.