Senadores da oposição e independentes defendem ordem de Aziz para prisão; governistas reclamam

Pedro França/Agência Senado

Na sessão desta quinta-feira (8) da CPI da Covid, senadores da oposição ou independente ao governo apoiaram a ordem do presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), de prisão do ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias.

Já parlamentares aliados ao governo pediram para a CPI delimitar melhor se o depoente é testemunha ou investigado. Isso porque o investigado tem mais possibilidades de não responder às perguntas para evitar criar provas contra si mesmo.

Membro suplente do colegiado, o senador independente Alessandro Vieira (Cidadania-ES) lembrou que Dias aceitou o compromisso de falar a verdade à CPI.
O senador Humberto Costa (PT-PE) disse que aliados do governo estão cada vez mais inquietos por causa das suspeitas de irregularidades em compras do governo. Ele afirmou que a comissão tratou Dias da forma “mais digna possível”.

“O presidente da CPI já tinha dito por mais de uma vez que iríamos chegar na situação limite em que o perjúrio se transformava em afronta à própria CPI”, disse o senador petista.
Já a senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA) disse que a prisão teve “efeito pedagógico”. “Mentir aqui é passível sim de prisão”, afirmou ela.

Dias foi preso na sessão de quarta-feira (7) após Aziz apontar contradições e lacunas no depoimento. O ex-servidor da Saúde pagou fiança de R$ 1,1 mil e foi solto depois de passar 5 horas na Polícia do Senado.

Dias foi acusado pelo policial militar Luiz Paulo Dominghetti, em entrevista à Folha, de pedir propina de US$ 1 por dose durante um jantar para negociar vacinas ao governo federal.
No áudio, Dominghetti afirma a um interlocutor que “a compra vai acontecer”, que o processo está “na fase burocrática” e que Dias irá assinar. Ele ainda afirma que faria reunião no dia 25 -data do jantar-, para “finalizar com o ministério”.

O senador governista Ciro Nogueira (PP-PI) disse que a CPI deve parar de convocar como testemunha pessoas que já estão sendo investigadas ou tiveram sigilos quebrados. “Ou vamos então convocar como investigados”, afirmou.

Já Marcos Rogério (DEM-RO) disse que é preciso deixar claro “desde o início” se o depoente é testemunha ou investigado.