Serafim alerta para ‘industria da manutenção’ após DNIT transferir controle da BR-319 para Rondônia

De acordo com o deputado, a estrada já custou mais de R$3 bilhões de reais, mesmo em condições precárias

Após o Departamento Nacional de Transportes (DNIT) confirmar a transferência da administração dos 500 quilômetros da BR-319 situados em território amazonenses para a superintendência de Rondônia, o deputado Serafim Corrêa (PSB) sugeriu que órgão faça um levantamento dos gastos com manutenção da estrada ao longo dos últimos 15 anos.

De acordo com ele, os gastos já superam os R$3 bilhões. “Estima-se que a cada ano são gastos cerca de R$ 100 milhões a R$ 200 milhões ao longo do ano. Então, já gastamos mais de R$ 3 bilhões de manutenção. A estrada não é drenada, não é asfaltada. As pontes não são construídas e continuam improvisadas. Quero dizer que não concordo com a transferência do controle do DNIT Rondônia sobre a BR-319, mesmo na parte que está no Estado do Amazonas, tirando de campo o DNIT local”, afirmou Serafim.

Serafim aproveitou para fazer um alerta sobre a “indústria da manutenção”, que recebe anualmente por reparos temporários. “Está muito claro a indústria da manutenção da estrada. Quando vem o verão, é feita a manutenção, mas ela fica no barro. Não é asfaltada a drenagem e nem nada disso. Vem a chuva, as carretas pesadas que trafegam não têm uma balança para coibir seu tráfego e o resultado disso é que a estrada é destruída. Quando ela é destruída, fica garantida a contratação das mesmas empresas para fazer a manutenção”, alertou.

Para o deputado, o problema sobre a BR-319, que já dura mais de 30 anos, só será resolvido caso ocorra um diálogo envolvendo o governo federal, MPF (Ministério Público Federal), Funai (Fundação Nacional do Índio), governos do Amazonas, Rondônia e Roraima, o próprio DNIT, além dos ambientalistas envolvidos com a causa.

“Esta estrada tem sofrido muitos percalços. É necessário um grande diálogo, mas eu, particularmente, quero, no momento em que é transferido o controle da obra de Manaus para Porto Velho. Não sei as razões e até agora ninguém explicou as razões dessa transferência [DNIT Amazonas para DNIT Rondônia]. Considero isso um absurdo, mas quero colocar para a reflexão de todos se por detrás disso não existe um grande interesse nessa indústria da manutenção”, afirmou ele.

Serafim relembrou ainda a importância da BR-319 para que ocorra a integração do Brasil. “Todos nós, que moramos no Amazonas, sabemos da importância da BR-319 para a integração nacional. Diria mais, a integração internacional do Brasil com a América do Sul e com o Caribe. Isto porque a BR-319 funcionando, através da BR-174, chegaríamos à Venezuela, à Guiana e de lá ao Caribe. Chegaríamos também à Argentina, ao Paraguai, ao Uruguai, ao Chile”, finalizou ele.