Serafim aponta que empresa estrangeira de Paulo Guedes afasta investidores do Brasil

De acordo com ele, tal ação causa “pânico no mercado”

Foto: reprodução

A postura do ministro da economia Paulo Guedes em relação à empresa offshore (nome dado às empresas e contas bancárias abertas em territórios onde há menos impostos e sigilo bancário) foi alvo de críticas na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) na última segunda-feira (13). O deputado estadual Serafim Corrêa (PSB) também repudiou a ação do ministro, assim como a presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que também mantém empresa em ‘paraíso fiscal’. Ambos possuem as empresas no exterior mesmo após integrarem o governo de Jair Bolsonaro (sem partido). De acordo com o deputado, tal conduta estaria afastando investidores.

“A imprensa nacional divulgou amplamente que tanto o ministro da Economia, quanto o presidente do BC, possuem contas em offshores nas Ilhas Virgens Britânicas. Qual a razão pela qual alguém coloca dinheiro no exterior em um paraíso fiscal? Em primeiro lugar, para não pagar tributos. Em segundo lugar, para esconder de alguém que tem esse dinheiro, que não teria sido ganho de forma lícita. Terceiro, porque pretende continuar sonegando tributos e quarto, porque não acredita na administração da economia brasileira”, disse.

Para o parlamentar, o fato de nomes de peso do governo Bolsonaro, como o ministro Guedes e o presidente do Banco Central, Campos Neto, optarem em ter empresas sediadas em paraísos fiscais, gera insegurança e “pânico no mercado”, o que afasta investidores estrangeiros. Serafim apontou que nenhum empresário vai querer trazer seu negócio para o Brasil quando vê que nem o ministro acredita no país.

“Vou dar o benefício da dúvida ao ministro Guedes e ao presidente do BC das três primeiras hipóteses (que o dinheiro foi lícito, que eles não querem sonegar tributos e que não querem esconder o dinheiro de ninguém), mas a quarta hipótese (não acreditar na gestão), eles poderiam fazer até enquanto não assumiram a administração da economia brasileira, porque ao assumi-la, são eles quem estão na gestão. Nada mais lúcido do que eles trazerem dinheiro deles para a economia brasileira, mas na hora em que eles não fazem isso, nem eles acreditam na gestão da economia”, questionou.

Enquanto Brasil sofre com inflação, ministro lucra no exterior 

Ele ainda disse que a situação gera conflito de interesses econômicos, porque enquanto no Brasil o aumento do dólar reflete no aumento da inflação e no bolso do brasileiro, investidores de empresas sediadas em paraísos fiscais lucram mais com a subida do dólar.

“Quero registrar o meu repúdio a esta postura do ministro Paulo Guedes e do presidente do Banco Central. Além do que há um notório conflito de interesses, porque toda vez que o dólar aumenta, e como o dólar tem aumentado no governo Bolsonaro, a inflação aumenta, mas tanto Paulo Guedes como Roberto Campos Neto ganham dinheiro no exterior”, concluiu.

(*) Informações da assessoria