Servidor do Governo pode perder o braço após peregrinar há quase um mês nos hospitais; não tem material cirúrgico, dizem os médicos

Senhor hospital braçoO servidor da secretaria de Administração do Governo do professor Melo, Heleno Rodrigues dos Santos, corre o risco de perder o braço. Ele está há quase um mês peregrinando pelos hospitais de Manaus – já passou pelos Hospitais Platão Araújo, 28 de Agosto e seis vezes foi levado ao hospital de referência na área ortopédica, Adriano Jorge – sem conseguir fazer uma cirurgia de urgência no braço quebrado em um acidente de trânsito. A justifica para o não atendimento médico é sempre a mesma: os hospitais do Estado estão sem material cirúrgico. Na última vez que em que esteve do Adriano Jorge, o médico ortopedista ainda disse coisa pior: além de não ter material cirúrgico, o centro cirúrgico está desativado porque os equipamentos foram retirados pelos fornecedores que não foram pagos.

Essas informações foram repassadas ao Radar, em tom de revolta, pelo filho do paciente, Geraldo Cantuário dos Santos. “Ele sofreu um acidente de carro, no dia 28 de novembro, na estrada de Autazes. Recebeu os primeiros socorros numa unidade ambulatorial no Careiro da Várzea e, de lá meu pai veio de barco para Manaus e foi levado ao Platão Araújo, onde fizeram um raio-x e viram que o braço estava quebrado e o osso está tão afastado da outra parte que ele precisa de uma cirurgia de urgência. Mas, a única coisa que fizeram foi colocar uma tala no braço do meu pai, porque disseram que não poderia ser feita a cirurgia no Platão por falta de material cirúrgico”, conta Geraldo.

Do Platão Araújo, Geraldo foi orientado a levar seu pai, Heleno, para o Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, com a certeza de que a cirurgia seria feita naquela unidade de Saúde. “Lá, o ortopedista disse a mesma coisa, que não havia material cirúrgico”, reclama o rapaz. O próximo encaminhamento foi para o hospital de referência em ortopedia no Estado, Adriano Jorge. “Nos encaminharam pra lá e a história se repetiu, não havia material cirúrgico, disseram os médicos. Nós já estivemos no Adriano Jorge seis vezes para verificar se não tinha chegado material cirúrgico, se alguém não tinha tomado uma providência diante da situação que é urgente, mas nada foi feito. Da última vez que estivemos no Adriano Jorge, ainda ouvimos coisa pior, que além de não ter material cirúrgico, a sala de cirurgia estava desativada porque os fornecedores chegaram lá e arrancaram os equipamentos cirúrgicos porque não foram pagos”.

Indignado, Geraldo acrescenta: “Olha que meu pai é servidor do Estado. Tem uma vida de dedicação ao serviço público. Seus superiores interviram junto aos hospitais para que ele fosse operado e nem assim foi resolvido nada”.

Geraldo conta que os próprios médicos já disseram que seu pai pode perder o braço. “Pra que isso não ocorra estamos vendo como vamos fazer para pagar essa cirurgia. Não teremos Natal, vamos vender o que temos, fazer o que tiver que fazer, mas temos que salvar meu pai”, diz o rapaz, contando ainda que sua família foi à Defensoria Pública na tentativa de entrar com mandado de segurança contra o Governo do Estado por negligenciar um direito constitucional que é o de ter atendimento médico-hospitalar.

“Já na porta da Defensoria pública fomos, de certa forma, barrados já que atendente disse que nem adianta entrar com mandado de segurança porque nenhum defensor público ia fazer nada contra o Governo do Estado, ainda mais nessa época de recesso. Isso é um absurdo. O povo está à míngua. O que parece quando se vai aos hospitais é que o Estado está falido, os médicos e enfermeiras dizem que falta tudo. Parece até que estão fazendo a limpa no dinheiro do Estado”, critica Geraldo.

O Radar tentou, durante toda a manhã desta quarta-feira, entrar em contato com a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde, pelo telefone 98127-xx31 mas, ou estava ocupado, ou estava fora da área de cobertura. (Any Margareth)