Servidores da educação em greve responsabilizam o governador pela morte de mais um professor vítima de Covid-19

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“Nós responsabilizamos o governador pela morte de Aroldo e demais pessoas que perdemos pelo fato dele não escutar, nem atender os apelos de professores, pais, mães de alunos e cientistas que alertaram repetidas vezes para o tremendo erro de suas decisões”, diz em nota nas redes sociais o coordenador de comunicação do Sindicato dos Professores e Pedagogos das Escolas Públicas do Ensino Básico de Manaus (Asprom Sindical), Lambert Melo.

A nota da Asprom Sindical foi publicada após a notícia da morte de mais um professor da rede estadual de ensino por Covid-19. Segundo Lambert Melo, professor Haroldo Marques trabalhava na Escola Estadual Padre Ruas e na Escola Municipal Carolina Perolina. “Já vínhamos acompanhando a evolução de seu estado físico, torcendo muito para que seu organismo fizesse frente ao ataque do vírus, mas acabamos de ser informados por sua esposa Bernadete que ele perdeu a batalha”, disse o sindicalista nessa segunda-feira (26).

Em mensagens veiculadas nas redes sociais do Sindicato, servidores da educação seguem cobrando que as aulas presenciais sejam suspensas e apontam a responsabilidade do Governo do Estado pela morte de professores por Covid-19 .

Retorno das aulas

Desde a retomada das atividades presenciais na rede estadual de ensino, realizadas no começo de agosto (ensino médio) e outubro (ensino fundamental) deste ano, quase quatro mil professores já foram contaminados pela Covid-19.

Muito antes de atingir esse percentual, os professores já tinham solicitado que o governador, juntamente com o secretário de educação, Luís Fabian, se reunissem com a classe para desenvolver uma maneira mais segura de continuar com as aulas. No entanto, eles nunca conseguiram ser devidamente atendidos e afirmam que as decisões realizadas sem nenhum planejamento e diálogo com a classe são criminosas.

“Essas decisões resultam na morte de trabalhadores. Isso é criminoso e nós não esqueceremos e nem perdoaremos esse inimigo da educação”, diz o sindicato.

Parte da categoria dos professores está em greve há 78 dias contra o retorno das aulas presenciais.

Respostas

O Radar entrou em contato com Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc) questionando sobre o suporte que está sendo oferecido aos professores infectados.

Em resposta, Seduc afirmou que tem prestado todo apoio socioemocional à comunidade escolar da rede pública estadual de ensino, através de sua equipe psicossocial e formações on-line voltadas a professores e alunos, como é o caso da plataforma Vivescer. Fora isso, afirmou que entre os meses de agosto e outubro, a pasta, juntamente à Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), ofereceu a testagem em massa, gratuitamente, aos profissionais da Educação.

A Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM) e a Secretária de Estado de Saúde (SES-AM) também foram questionadas sobre o índice de infecção entre os professores e se as testagens dos profissionais têm sido realizadas efetivamente. Mas até a publicação desta matéria, não obtivemos respostas.