Servidores da policial civil vão às ruas em protesto pelo não pagamento de direitos trabalhistas pelo governo do AM (ver vídeo)

Ao menos 400 servidores participaram da manifestação

Na manhã desta quarta-feira (25), foi realizada uma manifestação com servidores da Polícia Civil do Amazonas, cobrando o governador Wilson Lima (União Brasil) que pague a parcela do escalonamento, além de cumprir a promoção aos servidores da corporação. Mesmo sendo um direito e não um favor por parte do governador, os policiais lembraram que o pagamento das promoções e do escalonamento da categoria foram promessas feitas por Wilson Lima ainda durante a campanha eleitoral, numa reunião na sede do Sindicato dos Policiais (Sinpol-AM), mas agora o governador se nega a realizar os pagamentos, previstos em lei.

A concentração teve início em frente a sede da Delegacia Geral (DG), na avenida Pedro Teixeira, bairro Dom Pedro, finalizando em frente a sede do governo, na avenida Brasil, bairro da Compensa.

Segundo a organização do evento, a manifestação reuniu ao menos 400 policiais civis, incluindo escrivães e investigadores. O governador, de acordo com os organizadores, se recusa a pagar o escalonamento, querendo parcelar em mais 5 anos um valor que já foi parcelado. “Todo ano é uma briga e o que o governador nos propôs foi o parcelamento da última parcela e isso a gente não aceitou”, relatou a presidente do Sindicato do Escrivães e Investigadores da Polícia Civil (Sindeipol), Tharcila Martins.

“Ele quer parcelar o que já foi parcelado e nós não iremos aceitar isso”, afirmou o James Figueiredo. De acordo com ele, o escalonamento já foi parcelado em 5 anos, com o governador se negando a pagar a última parcela, querendo postergar o pagamento por mais meia década e comprometer o orçamento do próximo governador, que será eleito em outubro.

Além do pagamento do escalonamento, a categoria também briga pelas promoções, que não ocorrem desde 2016 e que por lei deveriam ocorrer a cada 2 anos, de acordo com o investigador James Figueiredo. “Estamos há 8 anos sem sermos promovidos; o governo promoveu somente delegados. Os escrivães que entraram em 2011 continuam na quarta classe. Tem colega com 30 anos de polícia e continuam na primeira classe. E tem uma decisão judicial, que está por força de justiça, e o governo não quer cumprir. Queremos o pagamento da última parcela do escalonamento. Isto é um acordo que a gente fez lá atrás, pagamento da nossa perda salarial em cinco anos. Esse seria o último ano. O governo tem dinheiro, está na LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e ele (governador) não quer pagar. Está se transformando em uma coisa pessoal contra a base da polícia, que são escrivães e investigadores e que representam 1.650 servidores. E ele não respeita esses servidores. Só queremos que ele cumpra a lei”, argumentou o investigador.

De acordo com o secretário-geral do Sindicato dos Funcionários da Polícia Civil do Amazonas, Odirlei Araújo, o governador Wilson Lima se recusa a cumprir uma lei, mesmo com dinheiro em caixa. “O governo descumpre a Lei Estadual de 2018 que garante o escalonamento salarial da categoria. Já há recursos no orçamento para realizar este pagamento que era para ser pago ainda em janeiro, mas já estamos quase em junho, e nada deste pagamento”, explicou ele.

O investigador Figueiredo relembrou que ambos foram prometidos por Wilson Lima, que agora se recusa a cumprir. “O governo trata a gente com indiferença. Estava na LOA. O governador disse que iria pagar. Foi em campanha na sede do nosso sindicato, tenho vídeo gravado com as palavras dele, dizendo que iria pagar a última parcela do escalonamento, dizendo que iria destravar as promoções e não cumpriu. E não quer cumprir. E é só com a gente. Porque os delegados que entraram em 2011, já são segunda e primeira classe, pagaram a data-base para os delegados no mês passado. Para gente é essa dificuldade. Sem investigador e escrivão, a polícia não anda”, afirmou ele.

Um dos investigadores afirmou que o governador Wilson Lima não paga pois deseja usar o dinheiro para se promover. “Ele quer usar o dinheiro para a campanha política dele, mas isso nós não iremos permitir. Ele tem que voltar para a cidade dele, pois aqui ele não ganha mais”, afirmou.

Os servidores chegaram a ser chamados para dentro da sede do governo do Amazonas, mas não foram ouvidos. Para esta quinta-feira (26), a convite dos deputados delegado Péricles e Wilker Barreto, os servidores falarão na tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) para expor os problemas enfrentados.