Servidores do 190 denunciam descaso do Governo do AM com falta de reajuste salarial e suporte psicológico

Foto: /Danilo Alvim / OVALE

Servidores da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSPAM) que atuam no 190 e foram aprovados no concurso público de 2015, denunciaram ao Radar o descaso do Governo do AM com a falta de reajuste salarial, e de um plano de cargos, carreira e remuneração (PCCR), que permita aos trabalhadores terem suas funções e atribuições delimitadas e um plano salarial digno. Conforme os servidores, a má estruturação dos cargos faz com que eles venham a receber menos que um salário mínimo desde 2015. Outra dificuldade apontada é a falta de suporte psicológico, que faz com que muitos concursados saiam da secretaria e abram mão dos seus direitos.

O concurso da SSP foi realizado em 2015. Dos 535 aprovados, apenas 241 seguem trabalhando em diversas responsabilidades, como por exemplo, atendentes da central de emergência policial (o 190), na secretaria.

“Nossos cargos, criados por força maior, foi mal definido no Edital, não foi dado um plano de cargos, carreira e remuneração (PCCR) e somos desencorajados a permanecer no cargo para o qual estudamos, nos dedicamos e temos direitos”, revelam os servidores em denúncia.

Eles também apontam que o concurso só foi criado porque havia muitas pessoas contratadas há 10 anos (que feria a lei, pois a contratação de servidores deve ser feita apenas para necessidades urgentes, de forma temporária), então havia pressão.

Falta de planejamento e amparo

Por isso, quando o concurso foi lançado por motivos de força maior, não houve um planejamento eficaz no edital. Os resultados disso são desistências e insatisfação entre os funcionários aprovados.

A insatisfação causada pela falta de planejamento dos cargos dentro da secretaria afeta diretamente a saúde física e emocional dos trabalhadores. Conforme eles denunciam, desde de 2015 o valor pago aos servidores é de R$771,54, que não corresponde mais à realidade econômica manauara e brasileira tendo em vista o contexto de pandemia, cheia e o tempo no geral.

Com isso, dezenas de servidores desistiram da vaga conquistada através do concurso porque precisavam de mais suporte econômico para sustentarem a si e suas respectivas famílias. Um deles, não suportou a situação de pressão psicológica e tirou a própria vida.

“São 294 pessoas que desistiram de um concurso público pelas condições miseráveis, além de 1 colega perdido para o suicídio e 1 removido de setor até pedir exoneração (por não suportar a pressão psicológica)”, pontuam.

Para além dos problemas estruturais na secretaria de segurança do Amazonas há falta de amparo psicológico. Os servidores que passam o dia realizando um trabalho imprescindível que é ouvir os pedidos de socorro da população, não têm os seus pedidos ouvidos por ninguém.

A falta de suporte psicológico para lidar com a rotina de alto estresse também é denunciada.

“Além de trabalhar pensando em como pagaremos as contas e como sustentaremos nossa família, trabalhamos com atividade sensível, de alto estresse, sem amparo psicológico ou ajuda pecuniária para podermos buscar alguma ajuda psicológica. Agora é o 190 que pede ajuda”.

Tendo a série de denúncias e pedidos de ajuda dos servidores da SSP-AM, a reportagem entrou em contato com a assessoria da secretaria para questionar os motivos da falta de organização dentro do órgão com grande responsabilidade, mas até a publicação desta matéria não obtivemos respostas.