SES-AM manda até advogado pra impedir entrada de reportagem do Radar e de deputado na Balbina Mestrinho (ver vídeo)

Não foi permitida sequer a entrada de parlamentar estadual, que tem direito constitucional de fiscalizar os atos do Executivo 

Texto: Dayson Valente

Na manhã desta sexta-feira (27), a equipe de reportagem do Radar Amazônico, foi junto com o deputado estadual Wilker Barreto (Cidadania), até a Maternidade Balbina Mestrinho apurar denúncias sobre falta de leitos na UTI clínica e neonatal da maternidade, após mais de um ano do governador Wilson Lima ter inaugurados leitos para crianças naquela unidade de saúde. Ao saber da presença da reportagem do Radar Amazônico e do deputado Wilker Barreto, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) mandou até advogados para o local para impedir a entrada na maternidade, mesmo com o deputado sendo membro da comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Estado e tendo respaldo legal para entrar na unidade de saúde.

Inicialmente, o gerente da unidade solicitou que os envolvidos aguardassem na recepção pelo diretor da unidade. No entanto, após mais de uma hora, quem apareceu foi o assessor Jurídico da SES-AM, Heleno de Lion Costa da Rocha Quinto, que ordenou que os envolvidos não entrassem na unidade, restringindo a atuação da fiscalização apenas aos setores administrativos da unidade, que não eram o foco da investigação.

O deputado, inclusive, questionou o fato de ser barrado mesmo estando respaldado por lei.  “Mais uma vez, eu não consigo fiscalizar uma unidade de saúde. Fui impedido, mesmo com o documento da Comissão de Saúde e membro titular. O que está acontecendo no Amazonas é brincadeira”, disparou o deputado.

Após o parlamentar ser barrado, ele afirmou que vai ingressar com representação contra os envolvidos, tendo em vista que como membro da comissão da saúde ele tem acesso a unidades hospitalares na capital. “Estou me reportando agora para a presidência da Assembleia do Amazonas para que tome as medidas cabíveis, pois eu não vou permitir que a Assembleia seja enxovalhada por um governo que é amoral. Um direito de deputado estadual foi cerceado. O assessor jurídico da SES queria que eu marcasse dia e hora, uma visita cordial, mas eu não venho fazer visita, tomar café e água. Eu venho para fiscalizar, ver a verdade, pegar a unidade na sua realidade, como acontece quando alguém vem precisando se consultar. Se fosse um deputado governista, o documento vale, mas eu que sou o líder da oposição e quero apurar, aí não posso entrar. Este é um caso vergonhoso, um absurdo. Tem mães esperando 12 horas para uma cesárea, crianças em risco”, disparou o deputado.

A “ampliação” dos leitos ocorreu em março de 2021, mas de acordo com as denúncias, várias UTIs nunca funcionaram. Entre leitos clínicos e de UTI neonatal, ao menos 12 leitos estão inativos por falta de equipamentos, segundo denúncias dos próprios servidores da saúde que classificam a situação como “muito preocupante”, por causa do aumento de síndromes respiratórias que esta fazendo com que bebês precisem de tratamento em UTIs. .

Enquanto aguardávamos a liberação, ouvimos o relato de Deborah Ingrid da Silva, que ficou 12 horas para conseguir internação e realizar cesárea. “Fiquei mais de doze horas para minha cesárea, pois não tinha leito, e eu entrei como alto risco, mesmo assim, foi difícil, tive que aguardar. Achei uma falta de respeito, pois quando consegui fazer o procedimento, a própria médica disse que se eu demorasse mais um pouco, poderia ter morrido com meu filho. Além disso, fiquei mais de uma hora no centro cirúrgico esperando a troca de plantão”, argumentou a mãe.

A equipe do Radar Amazônico, após deixar a maternidade, se dirigiu até a sede da Secretaria de Estado de Saúde (SES) para tentar falar com o secretário Anoar Samad, que não recebeu a equipe para prestar esclarecimentos acerca das denúncias.