SES se exime de responsabilidade pela morte de paciente após nebulização com cloroquina dentro do Dona Lindu

Apesar do Instituto da Mulher Dona Lindu ser uma unidade hospitalar do sistema público de saúde do Estado, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) decidiu se eximir de qualquer responsabilidade pela morte de Jucicleia de Sousa Lira, de 33 anos, que ficou internada no Dona Lindu para tratamento de Covid-19, após parto de emergência e foi submetida a um tratamento experimental, nebulização com hidroxicloroquina, ineficaz contra o novo coronavirus e que pode provocar reações ainda desconhecidas da ciência médica, causando lesões graves a saúde, segundo a Organização Mundial de Saúde.

Como se a direção do hospital Dona Lindu não tivesse qualquer responsabilidade com o que acontece dentro daquela unidade de saúde e o secretário de Saúde, Marcellus Campelo tivesse o direito de desconhecer o tratamento ao qual os pacientes são submetidos nos hospitais estaduais, a nota da Secretaria de Saúde joga a responsabilidade tão somente para a médica Michelle Checter, que decidiu fazer a paciente de cobaia e submetê-la a um tratamento que contraria normas terapêuticas mundiais para tratamento da Covid-19.

” O tratamento aplicado pela médica não faz parte dos protocolos terapêuticos do Instituto da Mulher Dona Lindu (IMDL) nem de outra unidade da rede estadual de saúde, ainda que com o consentimento de pacientes ou de seus familiares. O procedimento tratou-se de um ato médico, de livre iniciativa da profissional, que não faz mais parte do quadro da maternidade, onde atuou por cinco dias. Tão logo tomou conhecimento do ato, a SES-AM determinou abertura de sindicância e o afastamento da profissional”, está escrito na nota da SES.

Em outras palavras, a médica paulista contratada pela SES e paga com o dinheiro do povo do Amazonas pode ter causado a morte de uma cidadã do Estado impondo-lhe um tratamento experimental, sem eficácia, sob suspeita de causar efeitos colaterais, mas já não deve mais estar nem aqui no Amazonas para responder por seus atos.

A SES relata ainda em sua nota que a médica Michelle Checter e seu marido o também médico, Gustavo Maximiliano Dutra “foram integrados dia 03 de fevereiro, após contratação em regime temporário pela SES-AM junto com outros 2,3 mil profissionais de saúde, via banco de recursos humanos disponibilizados ao Estado pelo Ministério da Saúde, para atuarem durante a pandemia em hospitais da rede estadual”. Sabendo-se que os médicos indicados pelo Ministério da Saúde rezam pela cartilha de um governo em que o próprio presidente da República é garoto propaganda da hidroxicloroquina e gastou milhões dos cofres públicos com esse medicamento sem eficácia para tratamento da Covid-19, causa surpresa a SES não ter o controle dos tratamentos aos quais esses médicos submetem os pacientes no Amazonas.

Ordem para “tratamento precoce”

Bom lembrar que o ex-ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello quando esteve em Manaus, em janeiro deste ano, como se estivesse lidando com soldados rasos, deu ordem para que as secretarias de Saúde da Prefeitura de David Almeida e do Governo de Wilson Lima obrigassem os pacientes amazonenses ao chamado “tratamento precoce” imposto a Nação pelo presidente Messias Bolsonaro, com o uso de medicamentos que estudos rigorosos ao redor do mundo mostraram total ineficácia para o tratamento da infecção por coronavírus e até provável agravamento do quadro clinico dos doentes de Covid-19.

Os gestores da Saúde, tanto no município quanto no Estado, não fizeram qualquer reação de oposição as ordens do general Pazuello para a imposição do tratamento precoce e do uso de medicamentos como a cloroquina.