Sob o domínio do medo

Vivemos tempos de constante tensão! Ninguém se responsabiliza mais pelo que diz e muitas vezes nem pelo que faz. Depois de uma verborragia desatada, causando pânico generalizado, basta falar que não quis dizer nada daquilo que disse, pedir desculpas e está tudo certo. Quer ver um caso desses? Um aluno da escola estadual Professor Roberto dos Santos, localizada no bairro Nova Cidade, postou em suas redes sociais os planos para matar seus colegas estudantes e os professores daquela unidade de ensino.

Os planos de chacina pareciam ser muito sérios, já que o estudante apontava várias entradas de fácil acesso na escola para cometer os assassinatos, mostrava as falhas na segurança da escola e ainda detalhava o passo a passo do ataque criminoso que cometeria no estabelecimento de ensino. Sua postagem mudou o dia das pessoas, as aulas foram suspensas e todos viveram momentos de pânico.

Mas, ao ser descoberto pela polícia, o autor da ameaça agiu como se tivesse feito algo sem a menor importância. “Foi apenas uma brincadeira de mau gosto”, disse a polícia sobre o ocorrido. Pelo que parece ficou tudo por isso mesmo e, como de costume, não deve ter havido punição para quem infernizou a vida dos outros.

Mas, esse não é um caso restrito a um estudante de uma escola pública. Todos os dias nos vemos sob tensão com ameaças de gente nem tão jovem quanto este estudante, mas que parece ter idade mental de adolescentes. Não são anônimos e deveriam dar exemplo pra Nação já que são filhos do presidente da República. É só lembrar da ameaça feita pelo deputado federal, Eduardo Bolsonaro sobre uma possível volta do instrumento mais arbitrário de repressão da Ditadura Militar, o chamado Ato Institucional nº 5, mais conhecido por AI-5, baixado em 1968, durante o governo do general Costa e Silva.

O AI-5 perdurou até 1978, dando plenos poderes ao presidente, portanto sem apreciação da Justiça, de fechar o Congresso Nacional, intervir nos Estados e Municípios, cassar mandatos de parlamentares, suspender por dez anos os direitos políticos, decretar o confisco de bens e suspender as garantias de habeas corpus, entre outras arbitrariedades. Por meio do AI-5 instituiu-se a censura aos meios de comunicação e a tortura como prática dos agentes do governo.

Essa foi a forma do filho do presidente da República utilizar a intimidação pelo medo. Mas foi só ver muita gente reagir a seu discurso opressivo, que o pequeno ditadorzinho de plantão voltou atrás e pediu desculpas. E ficou o dito pelo não dito!

Moral da história: como dizia minha saudosa e sábia mãe, depois que inventaram as desculpas, ninguém é mais punido por infernizar a vida alheia.