Sob o título “Um ajuda o outro” revista Veja traz novos detalhes sobre a gravação do encontro do subsecretário de Justiça com Zé Roberto e do poder dele sobre o Estado

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Imagem: Revista Veja

Você sabia que o traficante Zé Roberto, líder da facção criminosa Família do Norte (FDN), aquele que aparece em gravação prometendo ao subsecretário de Justiça, major Carliomar Brandão, conseguir mais de 100 mil votos para o governador e candidato à reeleição José Melo, em troca de que ninguém reprima o poder do tráfico, já esteve preso em bem longe do Amazonas, em dois presídios federais de segurança máxima, em Porto Velho e Cantaduvas, mas em março desse ano “o Governo do Estado o aceitou de volta no muito mais brando sistema do Complexo Penitenciário Anísio Jobim”. Esses são novos fatos que a revista Veja desta semana, que já está disponível no formato digital para os assinantes da Veja Online, e pode ser encontrada nas bancas amanhã, traz sobre o poder do crime organizado no Amazonas, com a devida conivência do Governo.

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Imagem: Revista Veja

A Veja conta ainda, em detalhes, os crimes bárbaros e a fuga de presos que Zé Roberto determina e como ele manda dentro e fora do presídio. “Eu falei quem comanda aqui é nós. A disciplina da cadeia, do Estado, aqui é nós”, diz o bandido num trecho da gravação. Diz a matéria: “Preso desde 2009, Zé Roberto da Compensa (seu bairro de origem, na Zona Oeste de Manaus) também chamado de “Doido”, 41 anos, é o elo mais forte da conexão com os narcotraficantes do Peru e da Colômbia na região, onde derrama toneladas de cocaína. Também é mandante de crimes bárbaros no Estado e comanda com mão de ferro a bandidagem local – várias menções a esses dois destaques da sua carreira criminosa constam na gravação obtida pela Veja. Este trancafiado em dois presídios de segurança máxima, Porto Velho e Catanduvas, mas em março passado o governo amazonense o aceitou de volta no muito mais brando sistema do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) na Zona Rural de Manaus, hoje transformado em Q.G (Quartel General) do marginal.

É de lá que Zé Roberto, líder da facção Família do Norte (FDN) dita regras, negocia drogas e executa desafetos. Temido pela crueldade e ousadia, Zé Roberto tem cravado em seu currículo de selvagerias um episódio ocorrido quando ainda estava no presídio de Catanduvas, no interior do Paraná, em 2013. De lá, decidiu executar dois comparsas presos em Manaus, a 3.700 quilômetros de distância, que haviam se bandeado para uma célula amazonense do Primeiro Comanda da Capital (PCC) paulista. Orquestrou uma fuga e conseguiu tirar a dupla “traidora” da cadeia só para matá-la; dias depois os corpos esquartejados foram encontrados dentro de duas malas, no Rio Negro”.

Veja diz que o criminoso confirma tudo isso quando diz na conversa com o subsecretário de Justiça, – conversa esta que a revista diz mais parecer “uma palestra” – que “na sua lei, traidores e estupradores estão condenados ao sal, sinônimo de morte nos seus domínios”. E nesse parte da gravação demonstraria dar ordens até para o diretor do presídio, capitão José Amilton da Silva, sobre quem é morto. “Falei para o diretor. Pegar esses caras é sal. Entrou na cadeia é sal”.

Regalias e fugas de preso   

Veja conta que além de abastecer o Amazonas com entorpecentes, – segundo a revista só no Estado, a rede do tráfico de drogas de Zé Roberto movimenta meia tonelada de pasta-base de cocaína todo mês -, a “família” do traficante chamado na matéria de “cacique do crime nacional”, seria responsável por um derrame de drogas nos Estados do Acre, Piauí, Maranhão, Pará e Ceará – lembrar que da última vez em que foi preso Zé Roberto estava no Ceará. “Além do domínio do tráfico, o criminoso se impôs pelo tamanho e capilaridade da rede de contatos que arregimentou e pelo sofisticado esquema de lavagem de dinheiro. A Polícia Civil do Pará já identificou suas digitais em investimentos pesados como concessionárias de veículos e imóveis no Estado. Foi dono ainda de um time de futebol, o Manaus Compensão Esporte Clube, e até de uma banda de forró. Na prisão de Manaus Zé Roberto e seus asseclas dispõem de diversas regalias: visitas íntimas nas celas, ônibus especiais transporte de parentes, repressão interna zero e vigilância praticamente inexistente”, conta Veja.

Para confirmar sua autoridade sobre o sistema de segurança do Estado, Veja aponta outro trecho da gravação: “Se eu quisesse fugir, eu ia ali e pulava”, zomba ele (o traficante) a certa altura do áudio. “Quando quer, libera cúmplices: em julho, seu braço-direito, Gelson Lima Carnaúba, escapou com facilidade. Zé Roberto, no entanto, não se dá ao trabalho de fugir, muito confortável que está em seu escritório do crime. Afinal, tem garantias de que lá ninguém vai mexer com ele. Palavra do emissário do Governo”, define o texto da jornalista Leslie leitão.