Somente nos dois primeiros meses deste ano, mais de 300 mulheres foram vítimas de violência doméstica em Manaus

Os dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas revelam também que neste mesmo período foram registrados 51 descumprimentos de medida protetiva de urgência

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Somente nos dois primeiros dois meses deste ano, 311 mulheres foram vítimas de violência doméstica em Manaus. Os dados da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) revelam também que neste mesmo período foram registrados 51 descumprimentos de medida protetiva de urgência. O número de todo o ano é muito maior ao considerar que os dados não são atualizados há quatro meses.

A violência doméstica é a principal causa de feminicídio no Brasil e no mundo. Acontece quando uma mulher é agredida e assassinada. Esse tipo de violência pode ser cometido por qualquer pessoa, inclusive por outra mulher, que tenha uma relação familiar ou afetiva com a vítima.

Os agressores geralmente moram na mesma casa que a mulher em situação de violência. Pode ser o marido, o companheiro, pai, mãe, tia e filho, por exemplo.

Órfãos do feminicídio

Em meados de 2016, inconformado com o fim de seu relacionamento, o autônomo Diego Fabrício Pacheco matou a ex-companheira Josilene Ferreira de Araújo, então com apenas 23 anos. Josilene deixou um casal de filhos, que passou a ser criado por sua mãe, a doméstica Laíde Pereira de Lima, de 63 anos, avó das crianças.

O autor do feminicídio foi preso e condenado a 17 anos e quatro meses de prisão. A vida da família Pereira, porém, estava dilacerada. “Eles não conseguiam dormir e nem ir ao banheiro sozinhos”, conta a avó das crianças, que tomou forças para seguir em frente, apesar da tragédia familiar.

Conforme noticiado pelo Radar Amazônico, o crime aconteceu no bairro da Paz, zona Centro-Oeste de Manaus, na casa onde o casal morava com os filhos. Diego matou Josilene com três facadas no pescoço, na frente da filha do casal, de apenas seis anos na época. Ele confessou o crime e chegou a ser preso no mesmo dia pela Polícia, mas após dois anos mesmo sem ser julgado, foi posto em liberdade.

Agressão à jornalista

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A violência doméstica acontece em todo o Brasil, uma das vítimas foi a jornalista Ana Luiza Dias, de 37 anos, moradora do Rio de Janeiro.

Ela teve um relacionamento com Fred Henrique Lima Moreira, de 30 anos. O agressor a manteve em cárcere privado. Ela teve o maxilar quebrado  e ainda foi ameaçada por ele mesmo quando estava no hospital.

Ana diz que conheceu Fred através de conhecidos em comum, e não fazia ideia da vida pregressa dele. “Não sabia da vida pregressa dele, nem que tinha ficha criminal. Eu o conheci em um momento em que estava frágil e talvez não tenha percebido algumas coisas. Mas hoje sei que, se você está com um agressor, ele vai te agredir. Não vai ser diferente. Agrediu no passado, vai agredir no futuro”, diz ela, que segue se recuperando da cirurgia no maxilar.

Ana e Fred estavam juntos há oito meses, e ele relatou que o primeiro episódio de agressão aconteceu no fim do ano passado. Ela revelou que seguiu adiante no relacionamento até o episódio final de abril que quase custou sua vida.

Como denunciar 

A denúncia poder ser feita por qualquer pessoa, inclusive vizinhos que presencie qualquer cena de violência, por meio do disk 180 ou em qualquer delegacia.