Somos todos responsáveis!

Sei que vai ter muita gente que vai ficar “p da vida” comigo por causa do que vou dizer, mas como disse em vezes anteriores, uma das melhores coisas de chegar na “casa dos enta” – de quarenta pra riba de cima – é não estar mais preocupada em agradar, jogar pra plateia, ser celebridade ou coisas do tipo. A gente é o que é e ponto final! E pra dizer a verdade, essa minha característica nem foi coisa da idade, porque desde criança esse meu jeito já incomodava à beça. Mas, deixa eu parar de falar de mim, pra falar de quem realmente interessa nessa história, meu povo do interior que continua sendo tratado com “pão e circo”.

Todos os dias o Radar tem mostrado, após denúncias de cidadãos dos municípios do interior do Amazonas, a sangria dos cofres públicos com festas que custam milhares de reais. Os prefeitos desses municípios, sem que a cara sequer fique vermelha de vergonha, pagam cachês de até meio milhão de reais para as tais atrações nacionais que não estão conseguindo engordar suas contas bancárias em outros Estados do País e vêm pro Amazonas, onde as prefeituras do interior parecem estar nadando dinheiro.

Mas, o cenário pintado pelos cidadãos desses municípios é totalmente outro, com cidades entulhadas de lixo, sem energia elétrica, falta de merenda escolar, falta de medicamento nos hospitais, mazelas das mais sérias, como por exemplo, crianças bebendo água suja em Parintins e Anitta ganhando meio milhão pra balançar a bunda por uma horinha – nada contra bundas bonitas, tá meu povo!

E quem faz alguma coisa sobre isso? O Tribunal de Contas do Estado (TCE) faz seguidas recomendações aos prefeitos para não gastarem o dinheiro público com festas. Mas quem disse que eles ligam pras recomendações do TCE? O Ministério Público Estadual (MPE) abre constantes processos de investigação sobre esses gastos com festas, mas os prefeitos mostram não estar nem ai sequer para o fato de ficarem na mira do MPE e a farra continua no interior.

E, até agora, ninguém efetivamente puniu com rigor prefeitos que tratam a coisa pública como se fosse privada. Quando alguém vai conseguir enxergar que todos nós somos responsáveis pelo que está acontecendo com nossos irmãos no interior e que a farra com dinheiro público é um escárnio com o sofrimento deles?