Startup do AM desenvolve biossensor capaz de detectar em qual fase da covid-19 está cada paciente

A startup Versalaab desenvolveu um biossensor que pode ajudar profissionais de saúde no tratamento de pacientes diagnosticados com covid-29. O dispositivo, que ainda está em fase de testes, analisa uma pequena amostra de sangue do paciente e, partir disso, determina em que fase da doença o paciente está acometido.

Durante entrevista online realizada nesta terça-feira (19) para apresentação do aparelho, o professor Ricardo Serudo, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que estuda eletroquímica há pelo menos sete anos, disse que a ideia surgiu logo no início da pandemia de coronavírus no Estado.

“Com a pandemia do covid-19 a gente pensou sobre o que podemos fazer para ajudar, dentro de tudo aquilo que sabemos fazer. E aí fomos pesquisar para entender a doença, como ela funciona e de que forma as nossas habilidades poderiam ajudar as pessoas. Foi aí que encontramos a possibilidade produzir o sensor”, disse Serudo.

A covid-19 é uma gripe da qual os efeitos se dão em várias fases, segundo os estudos feitos pelo grupo. Sabendo disso, foram identificadas três substâncias, as chamadas citocinas, que desempenham um papel particularmente importante na regulação do sistema imunológico. A presença dessas substâncias pode ser identificada pelo sangue.

“O nosso dispositivo quantifica três citocinas: TNF-Alfa, IL-1beta e a IL-6. São três marcadores que conseguem dizer em que fase a doença está”, explicou o professor. O dispositivo, que pode ser conectado no aparelho celular, analisa uma pequena amostra de sangue do paciente inserida em uma pequena lâmina. Em seguida, o aparelho, em questão de segundos, identifica a fase da doença.

Com o biossensor, segundo Serudo, o profissional de saúde, e até mesmo o paciente, poderão acompanhar, entre outras coisas, o processo inflamatório da doença e se o remédio administrado no tratamento está fazendo efeito.

“O índice de erro causado pela falta de informação é muito grande, então tem ocorrrido muitos casos de a pessoa falecer em casa. Ela vai no posto de saúde e o médico fala que está tudo tranquilo, diz que é para se isolar e acompanhar a falta de ar. A pessoa dorme e tem uma evolução muito rápida durante a noite e morre”, afirmou o pesquisador.

Testes

Para ser comercializado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) solicita mais detalhes sobre o projeto e que também sejam feitos testes. Para isso, a ideia do grupo foi acolhida pelo Governo do Amazonas e os testes serão feitos no hospital de campanha Nilton Lins. A expectativa do grupo é que 1,5 mil pessoas possam ser beneficiadas, inicialmente.

“A gente precisa fazer os ensaios que a Anvisa solicita. Ela tem um protocolo de ensaios para serem realizados dentro do hospital, para que a gente consiga a aprovação e autorização para venda e distribuição”, explicou.

Campanha

De acordo com o Ricardo Serudo, para dar início aos testes são necessários recursos para aquisição das lâminas de leitura do sangue, que são importadas da China pelo valor de R$ 25,00 e os três sócios já utilizaram todos os recursos que tinham para a criação do biossensor.

Por conta disso, foi criada uma campanha chamada “Qual a fase da covid?”, onde o grupo pretende arrecadar R$ 51 mil. A principal meta é, após validação da Anvisa, confecção de 12 dispositivos para realização de 2,4 mil testes disponibilizados para quatro hospitais de Manaus.

“A campanha tem como foco conseguir recursos para conseguir trazer as fitas (lâminas) para começar e terminar os testes pedidos pela Anvisa. Então a campanha é voltada para cada fita, que vai ajudar um paciente”, disse Miguel Novo, sócio da startup Versalaab.