STJ bloqueia R$ 2,9 milhões em bens dos alvos da Operação Sangria; o mesmo valor da compra de “respiradores”

No âmbito da Operação Sangria, deflagrada nesta terça-feira (30) pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (MPF), o ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinou o bloqueio de bens dos alvos da operação no valor de R$ 2,976 milhões. O valor é o mesmo da compra de 28 “respiradores” pelo Governo da loja de vinhos FJAP e Cia Ltda.

Os bens são das 13 pessoas físicas – entre elas o governador Wilson Lima, a secretária de Saúde Simone Papaiz, o ex-secretário de Saúde (interino), João Paulo Marques dos Santos; o ex-secretário executivo adjunto de saúde, Perseverando da Trindade Garcia Filho e a ex-gerente de compras da Susam, Alcineide Figueiredo Pinheiro; dos empresários Fábio José Antunes Passos, Cristiano da Silva Cordeiro, Luciane Zuffo Vargas de Andrade, Renata de Cássia Dias Mansur Silva –  e de pessoas jurídicas especificadas pelo STJ, mas não tornadas públicas pela PF ou pelo MPF.

Entre as empresas envolvidas na compra superfaturada de respiradores estão a loja de vinhos FJAP e Cia Ltda, responsável por vender os equipamentos superfaturados ao Governo; a Sonoar, única empresa que tinha os equipamentos em Manaus e vendeu à FJAP e Cia Ltda; e a rede de supermercados Big Amigão porque seu proprietário, Cristiano da Silva Cordeiro teria emprestado dinheiro à FJAP para compra dos respiradores.

Operação Sangria

Desde as primeiras horas da manhã desta terça-feira (30), a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) deflagraram a Operação Sangria que tem como alvo o governador Wilson Lima (PSC), secretários de Estado e empresários no Amazonas. Estão sendo cumpridos oito mandados de prisão temporária, além de pedidos de buscas e apreensão em 14 endereços de pessoas ligadas a Wilson Lima, segundo informações da PF.

A investigação apura a atuação de uma organização criminosa instalada no governo do Amazonas com o objetivo de desviar recursos públicos destinados ao combate à pandemia de covid-19. Desde abril, o Radar denuncia a compra superfaturada de  28 “respiradores” por R$ 2,9 milhões de uma loja de vinhos para atender os pacientes com covid-19 no Estado. O caso ganhou destaque nacional e resultou na instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que está trazendo à tona toda a articulação até a aquisição dos respiradores.