Subsecretário de Justiça precisa explicar negociação política com criminosos, afirma Chico Preto

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O deputado estadual Marco Antônio Chico Preto (PMN) encaminhou requerimento, nesta terça-feira (21), à Mesa Diretora da Assembleia Legislativa,  solicitando a convocação do subsecretário de Justiça, major PM Carliomar  Brandão, e do diretor do Compaj, capitão PM José Hamilton, para prestarem esclarecimentos sobre a denúncia da revista Veja (19/10/2014) apontando uma “negociação política” com o líder de uma facção criminosa em um presídio de Manaus com o objetivo de beneficiar o candidato José Melo.

Chico Preto deixou claro, em seu breve pronunciamento, que a convocação se faz necessária para o efetivo exercício do controle do Legislativo sobre os atos de Governo e lembrou que a gravidade dos fatos denunciados pela revista de circulação nacional implica os envolvidos e revela, em última análise, hipótese passível de enquadramento pela Lei de Crimes de Responsabilidade (Lei 1.079/1950) e pela Lei de Improbidade Administrativa (Lei 8.429/92).

Segundo Chico Preto, a Assembleia precisa investigar os detalhes desse fato para saber até que ponto as autoridades responsáveis pelo sistema prisional no Amazonas estão envolvidas com o crime organizado.

“Me causa arrepio perceber que as autoridades do nosso estado precisam dialogar com os representantes do crime organizado para discutir, por exemplo,  acordos políticos. Igualar a sociedade ao que se fez com o crime organizado representa uma total inversão de valores”, completou.

De acordo com o parlamentar, o diálogo é político e o representante do governo do Amazonas precisa esclarecer os motivos que o levaram a fazer o comentário, durante o encontro realizado no presídio, a respeito do número de votos que seriam dados ao candidato José Melo.

“Nos diálogos divulgados não há nenhuma manifestação sobre possíveis rebeliões no presídio, mas sim a verbalização clara do líder da facção Família do Norte, José Roberto, dizendo que darão ao candidato José Melo mais de 100 mil votos”, afirmou Chico Preto, destacando que presídio não é local para se negociar voto.

Para Chico Preto, que inúmeras vezes já se manifestou apontando o que ele classifica de “frouxidão de controle” no sistema prisional semiaberto, destacado no início da semana, com a prisão de alguns membros da quadrilha responsável pelo assalto a Escola Preciosíssimo Sangue e várias residências na Ponta Negra, o encontro do subsecretário de Justiça com o chefe da Família do Norte, para discutir apoio político, representa a cereja que faltava para adornar o bolo.

“Essa situação merece uma investigação profunda, porque nos diálogos o José Roberto deixou claro que nas áreas onde o tráfico tem influência as pessoas seriam compelidas a votar, também, no candidatado José Melo”, disse, afirmando que a decisão de afastar o capitão Carliomar não põe fim à questão.