Surto de dengue em Tapauá com aumento em mais de 300% em relação aos casos da doença registrados no ano passado

Posto Tapauá

Com se não bastasse o caos administrativo que se instalou no município de Tapauá pela má gestão do prefeito Almino Gonçalves (PSD), a população do município de Tapauá (a 449 quilômetros de Manaus em linha reta) ainda tem que enfrentar agora um surto de dengue na cidade. Moradores de Tapauá denunciam que o aumento nos casos de dengue ocorreu por falta de serviços da Prefeitura no combate ao mosquito Aedes Aegypti e o que o sofrimento dos doentes torna-se ainda maior porque os postos de saúde estão lotados e o atendimento é precário. Tanto o secretário de saúde do município, Alexandre Gomes da Silva Neto, como o gerente de Endemias, Elias Braga não negam o aumento na contaminação de pessoas com a doença. Levando-se em conta o número de caso apontados por eles houve um aumento de 300% em relação ao ano passado.

O secretário de Saúde de Tapauá, Alexandre Gomes da Silva Neto, não nega o aumento expressivo de casos da doença na cidade, mas insiste que está tudo sobre controle. Ele classifica os casos de dengue como “importados”, afirmando que começaram em junho no porto da cidade. Segundo ele, em 2014, quase não ocorreram casos de dengue em Tapauá e o secretário responsabiliza os proprietários das embarcações que viajam para Manaus e outros municípios de serem os responsáveis pelo aumento do número de casos de dengue na cidade, pois de acordo com ele, não estariam adotando as medidas necessárias para fiscalizar a água parada nas boias das embarcações que seriam criadouros para reprodução do mosquito.

“Tapauá é uma cidade com intenso fluxo de pessoas que viajam e até o momento tivemos 66 casos confirmados da doença. No ano passado só tivemos dois caos de dengue de pessoas que  vieram contaminadas de Manaus, essa dengue foi importada. Este ano, os casos começaram em junho, a gente acredita que o mosquito da dengue chegou através das  embarcações naquelas boias que ficam do lado dos barcos cheias de água”, diz o secretário.

Ele insistiu que o crescente aumento de casos da doença nada teria a ver com a falta de combate a proliferação do mosquito e nem com a ausência de agentes de endemias, por conta das demissões desses trabalhadores por parte do governo do Estado.

“O combate à dengue está intensivo, a situação está sob controle. Estamos verificando as áreas de foco e essa questão de demissão de agentes não existe. Não tenho a base exata do número de agentes, porque essa informação precisa quem tem é o gerente de endemias (Elias Braga) senão me engano temos atuando no combate à dengue 50 guardas de endemias”, afirmou Alexandre.

Meio diferente

Discurso um tanto diferente tem o gerente de endemias de Tapauá, Elias Braga. Ele também se recusa a usar a expressão “surto de dengue”, e semelhante ao secretário de Saúde do município diz que “está tudo sobre controle”. Mas não nega que o combate à proliferação do mosquito não estava sendo feito, segundo ele, porque “estava faltando inseticida para combater o mosquito, mas agora o produto já chegou à cidade”.

Ele explica: “O combate está sendo feito. Estamos fazendo a pesquisa na área, tratando os depósitos, destruindo os criadouros que podem ser destruídos. O problema é que não estávamos fazendo era o bloqueio. O bloqueio na transmissão é um controle vetorial que é feito através daquela máquina portátil UBV (Unidade de Baixo Volume) que solta àquela neblina que serve para bloquear a transmissão no quarteirão que está tendo os casos de dengue. O Ministério da Saúde ainda não havia passado para o Governo do Estado o inseticida, mas agora já chegou” – aquela velha história, né gente, que governo Federal, governo do Estado e prefeituras dos municípios ficam jugando a culpa um pro outro e quem sempre sofre é o povo.

O número de agentes é bem diferente daquele que foi apontado pelo secretário. “Estamos trabalhando com quatro máquinas e cinco agentes de endemias da dengue, além de um supervisor. Eu pedi a contratação de mais quatro pessoas, mas o município está vivendo um problema administrativo e eles não contrataram. Também estava difícil de manter os agentes trabalhando porque essa semana é que vieram receber o mês de junho. Tinha, muitas vezes, que liberar esses homens do trabalho pra eles colocarem uma malhadeira, dar um jeito pelo menos pra família comer”, conta Elias.

O número de pessoas infectadas com a doença também é diferente daquele dito pelo secretário de Saúde, mas igualmente alto. O secretário apontou 66 casos desde junho, e o gerente de endemias Elias Braga diz que nesse período foram 56 casos notificados, e 39 confirmados, enquanto que no ano passado foram somente 12 casos registrados, mas todos eles de pessoas que vieram de outras cidades. Isso dá um amento de mais de 300% nos casos da doença em Tapauá.

E, para fazer justiça, não há como não destacar o aparente compromisso que Elias Braga parece ter com a função que ocupa e com o povo do município de Tapauá. “Eu estou na rua junto com os agentes de endemia, de dia e de noite. No caso da malária, no ano passado acontecerem mais de 700 na zona urbana, conseguimos reduzir drasticamente para 86 casos. Com a chegada do inseticida não vamos parar um minuto sequer de combater o mosquito da dengue”, afirma. (Any Margareth e Augusto Costa)