Taxa de transmissão do coronavírus no Brasil é a menor desde início da medição, aponta Imperial College

Taxa começou a ser medida em abril de 2020. Índice ficou em 0,60 nesta semana; a mais próxima do número era de novembro, quando chegou a 0,68.

Manifestantes protestam contra o governo em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília, no dia 8 de outubro, dia em que o Brasil ultrapassou os 600 mil mortos na pandemia de Covid-19. — Foto: Evaristo Sá/AFP

A taxa de transmissão do coronavírus no Brasil alcançou, nesta semana, o menor índice desde abril de 2020, quando começou a ser medida: 0,60, segundo o Imperial College de Londres. O dado foi atualizado na segunda-feira (11).

Na prática, isso quer dizer que cada 100 pessoas infectadas transmitem o vírus para outras 60. Pela margem de erro das estatísticas, essa taxa pode ser maior (de até 0,79) ou menor (de 0,24). Nesses cenários, cada 100 pessoas com o vírus infectariam outras 79 ou 24, respectivamente.

Simbolizado por Rt, o “ritmo de contágio” é um número que traduz o potencial de propagação de uma doença: quando ele é superior a 1, cada infectado transmite a doença para mais de uma pessoa e a doença avança. Quando é menor, ela recua.

O número mais próximo da taxa atual havia sido medido em novembro do ano passado, com 0,68. A data, entretanto, coincide com o apagão de dados que atrasou a atualização de casos e mortes por Covid-19 pelo Ministério da Saúde. Como o índice também considera esses dados, isso afeta as estimativas.

Outro ponto é que o Brasil faz poucos testes. Isso pode indicar uma piora na capacidade em achar casos da doença (o que influencia a estimativa da taxa de transmissão).

Por outro lado, especialistas já apontaram que o avanço da vacinação também contribui para a diminuição do número de novos casos. Hoje, 70% da população brasileira já recebeu a primeira dose da vacina, e cerca de 47% já tomou ambas as doses (ou a dose única).

Em setembro, o Brasil viu o menor número de mortes por Covid desde novembro de 2020.

Mesmo assim, ainda não é possível deixar de lado as outras medidas de combate ao coronavírus –como o uso de máscaras, o distanciamento físico – principalmente evitando aglomerações –, optar por espaços abertos e bem ventilados e a higiene das mãos.

Em entrevista à BBC News Brasil, o médico Ciro Ugarte, diretor de Emergências Sanitárias da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço da OMS para as Américas, alertou que a queda nos casos e nas mortes por Covid-19 não pode servir de pretexto para relaxar com as medidas.

“Quando os casos diminuem, é sinal que estamos fazendo as coisas certas. Ou seja, implementamos medidas de saúde pública, que comprovadamente continuam a funcionar”, destaca.

“O pior que poderia nos acontecer agora, que estamos com menos casos, seria aliviar as medidas. Isso aumentaria a oportunidade para que o vírus fosse transmitido de pessoa para pessoa”, acrescentou.