TCE bloqueia bens de diretores da Afeam que investiram R$ 20 milhões em empresa do RJ apontada como “caixa forte da propina”

ari-21O Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM), em resposta à representação feita pelo Ministério Público de Contas (MPC), com pedido de cautelar, concedeu liminar assinada pelo presidente da Corte de Contas, conselheiro Ari Moutinho, determinando o bloqueio de bens do diretor-presidente da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam), Evandor Geber Filho; do diretor de Crédito da Afeam, Marcos Paulo Araújo do Vale; dos assessores da Afeam, Otniel Tavares Monteiro, Arthur Brito Cavalcante Alencar; Ciro Trellese Junior, e do Auditor de Risco da Afeam, Alan Douglas Azevedo. (ver documento no final da matéria)

O MPC pede ao TCE investigação “para apurar possíveis ilegalidades na aplicação de recursos públicos. “A Afeam aplicou R$ 20 milhões em cotas do Fundo de Investimentos em Participações (FIP Expert). Tal aplicação, na visão do representante, constitui medida temerária em razão de uma série de pontos negativos, que denotam fortes indícios de má-aplicação de recursos públicos, o que configura grave irregularidade cometida pelo Gestor representado”.

Segundo o TCE, o MPC afirma ter verificado que o FIP Expert aplicou os R$ 20 milhões na empresa de transporte de valores TransExpert Vigilância e Transporte de Valores, com sede no Rio de janeiro, e que “nenhum retorno trará tal aplicação ao Estado do Amazonas, seja em caráter financeiro ou social”.

Caixa-forte da propina   

Os R$ 20 milhões que foram parar lá na TransExpert, no Rio de Janeiro, saíram do Banco do Povo, criado pelo governador professor Melo diz que para facilitar o acesso a empréstimos  para microempreendedores individuais, profissionais liberais, trabalhadores autônomos, produtores rurais e micro e pequenas empresas.

Acontece que a TransExpert é nada menos que a empresa suspeita de ser usada para a lavagem de dinheiro da corrupção de grupos políticos, segundo reportagem do ‘Jornal Nacional’, da Rede Globo de Televisão, exibida na última sexta-feira, sobre os esquemas do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, acusado pelo Ministério Público Federal, do desvio de algo em torno de R$ 224 milhões dos cofres públicos.

De acordo com a reportagem, a Transexpert é apontada como o caixa-forte da propina recebida pelo ex-governador Sérgio Carbral e distribuída por todos os membros do esquema criminoso. Resta agora saber se, no Amazonas, a TransExpert também não servia para a mesma finalidade. (Any Margareth)

LIMINAR TRIBUNAL DE CONTAS DO ESTADO DO AMAZONAS