Técnicos de enfermagem fecham avenida Brasil em protesto por não pagamento de direitos trabalhistas (ver vídeo)

Três horas após o início da manifestação ainda não havia qualquer resposta do governo

Profissionais técnicos de enfermagem se reuniram na manhã desta segunda-feira (13) em frente a sede do governo do Amazonas para reivindicar benefícios como ticket-alimentação, adicional de insalubridade, dentre outros direitos. Eles chegaram a fechar os dois lados da avenida Brasil, mas nenhum representante do Governo Wilson Lima atendeu os manifestantes.

Os manifestantes representam a categoria dos RDAs, funcionários que são contratados por meio de Regime Administrativo de Direito e que não estariam recebendo os pagamentos determinados por Lei e fruto de seguidas promessas do governador.

Entre os pedidos feitos pelos membros da saúde, está o aumento de R$100 no vale-alimentação, que foi prometido por Wilson Lima em maio deste ano e que não foi cumprido. Além disso, também existem datas-base e recomposição salarial de funcionários da saúde que também seguem em atraso.

“Somos cerca de 6 mil profissionais, que não querem entrar em greve mas que não têm opção, já que o povo é quem mais irá sofrer com isso. Nós precisamos ser ouvidos, estivemos na linha de frente da pandemia, perdemos colegas e merecemos reconhecimento”, afirmou uma manifestante.

Um fator que chamou a atenção foi a fala de uma técnica, que afirmou que o salário deles seria abaixo do salário mínimo, o que seria inconstitucional. “Quando a gente vem aqui, é porque não estamos aguentando mais, estamos cheios de dívidas e não estamos dando conta de sustentar as nossas famílias com salário de R$ 904. Precisamos ser tratados com seriedade, respeito, cuidar de vidas não é brincadeira”, argumentou ela.

O deputado Wilker Barreto recentemente usou a tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) para manifestar a favor dos profissionais. “Infelizmente, a saúde literalmente não é prioridade para este governo. Como é que um governador gasta milhões com despesas supérfluas, mas não paga R$ 100 de auxílio alimentação, os RDAs não recebem o ticket alimentação nem risco de vida, e os técnicos terceirizados que estão com três meses de salários atrasados. Se eles (os trabalhadores da saúde) estão aqui, é porque o diálogo não existe”, ponderou o deputado, cobrando soluções do Executivo estadual acerca do recorrente atraso salarial na saúde, como é o caso dos enfermeiros plantonistas da FCecon (2 meses sem receber/ empresa Queiroz), os enfermeiros intensivistas do IETI (3 meses sem receber / o Instituto possui faturas aptas para pagamento junto à Sefaz), os terceirizados dos serviços gerais do Francisca Mendes (4 meses sem receber / empresa Proservice) e os técnicos em radiologia do João Lúcio e Joãozinho (3 meses sem receber / empresa Diagmax).

O trânsito no local ficou congestionado após o grupo fechar os dois lados da Avenida Brasil, com o Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) indo até o local para auxiliar no trânsito. Unidades da polícia também foram deslocados para a manifestação.

O grupo ficou por mais de três horas em frente à sede do governo, mas o governador Wilson Lima e seus representantes não foram até o ato ouvir as reivindicações dos profissionais de saúde.