Tempos de orgulho e de vergonha no Amazonas

Após ver essa foto do governador do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil), postada em suas redes sociais, mostrando uma reunião que teria tido nessa quarta-feira (27) com o presidente Messias Bolsonaro (PL) e o ex-superintendente da Suframa e pré-candidato a senador pelo Amazonas, coronel Menezes (PL), o primeiro pensamento que surgiu nessa minha cabeça pensante foi que as mulheres guerreiras que deram nome ao nosso Estado, as Amazonas, devem estar se contorcendo no túmulo de raiva.

Na foto, já dá pra entender a situação vergonhosa que estamos vivendo no Amazonas nos dias atuais, onde um governador tem que servir de capacho, ficar numa posição humilhante para que um presidente do país pare de prejudicar um Estado, onde ele inclusive teve maioria de votos da população para ser eleito chefe da Nação Brasileira.

A imagem do encontro já é vexatória e constrangedora por si só! Na foto, Messias Bolsonaro está gesticulando com a costumeira cara de fora de si, enquanto coronel Menezes mantém seu sorrisinho de escárnio e menosprezo de costume e Wilson está com cara de menino que levou ralho dos mais velhos.

Cheguei a conclusão, depois de ver essa postagem no Instagram, que isso me incomoda tanto porque sou de outros tempos, Sou dos tempos em que um senador – Arthur Virgílio – era respeitado mesmo sendo de oposição ao presidente da época e, inclusive, chegava a ser mais ouvido em suas reivindicações do que parlamentares da base aliada do governo.

Sou de um tempo em que um governador – Amazonino Mendes – foi ficar frente a frente com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em defesa das vantagens comparativas da Zona Franca de Manaus e não “pedir penico” pra presidente da República.

Sou de um tempo em que as relações dos governadores do Estado do Amazonas eram de respeito mútuo e até de alinhamento político, mas não de subserviência.

Sou do tempo de um governador do Estado – Eduardo Braga – onde presidente vinha anunciar investimentos em projetos como o Prosamim, ou o gasoduto de Coari, que hoje representa uma cifra milionária em royalties para o Estado e cidades do interior do Amazonas, mas não para dar ordem e ouvir: Sim Senhor!

Nos tempos do novo, o governador do Amazonas leva na cara mentira atrás de mentira, é enganado vergonhosamente, e se encolhe com medo de ser alvo de parte da polícia brasileira que é comandada pelo presidente Messias – quem deve, teme, né mesmo?

Wilson também vê mais “negócio” em não entrar num embate com o presidente da República, esperando que o dinheiro do governo federal o salve de derrota nas urnas.

Mas, o que nem Messias Bolsonaro e nem Wilson Lima, contam é que o povo do Amazonas continua tendo sangue guerreiro nas veias. Aqui ninguém vai arregar não!