“Tenho plena consciência disso”, diz Praciano ao ser questionado se sabe que parte do PT não o apoiou para o Senado e nem pediu voto

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Mesmo dizendo ter consciência de que parte dos membros do seu partido, o Partido dos Trabalhadores (PT), não trabalhou para que ele fosse eleito para o Senado, e até mesmo parlamentares do seu partido não pediram votos pra ele, o deputado Federal Francisco Praciano que disputou a vaga para o Senado com o ex-governador Omar Aziz (PSD), diz que nem por isso vai “sair do PT ou deixar de ser do PT”. Nas eleições desse ano, o PT do Amazonas manteve seus dois deputados estaduais, José Ricardo Wendling e Sinésio Campos, mas não elegeu Praciano para o Senado e perdeu sua única cadeira na Câmara Federal, já que Praciano não estará mais no cargo em 2015

Praciano faz entender que, em sua visão, o partido está acima desse tipo de atitude de alguns dos seus membros, mas diz concordar com o processo disciplinar que está sendo feito e que resultou no afastamento e provável expulsão de várias lideranças petistas como o presidente municipal da sigla e titular do Instituto de Terras do Amazonas (Iteam), Vital Melo, o titular da pasta de Movimentos Sociais e Populares (SEARP), José de Farias, conhecido como “Zeca do PT”  e ainda a ex-titular da pasta municipal de Trabalho (Semtrad), Maria Francinete Correia de Lima.

Eles são acusados de traição por fazerem campanha para o governador José Melo e não para o candidato da coligação da qual o PT fazia parte, a Renovação e Experiência, cujo candidato foi o senador Eduardo Braga. A situação foi considerada ainda mais grave porque o governador José Melo não manifestou apoio à candidatura da presidente Dilma Rousseff e permitiu propaganda pró-Aécio no Horário de Propaganda Gratuita, encabeçada pelo prefeito tucano, Artur Neto.

“O PT tem que avaliar seriamente essa situação. Não falo por mim ou pela minha candidatura ao Senado. Mas, o PT historicamente tem uma linha partidária de respeito para com as decisões tomadas pelo coletivo, sob as quais eu mesmo já tive que me curvar mesmo não concordando com elas”, avalia Praciano, acrescentando: “Seguindo essa linha o PT pode ficar desmoralizado. Se o PT quiser manter sua história, sua disciplina, tem mesmo que rever essas situações”.

Após ser questionado de qual a posição do PT nacional sobre a infidelidade dos membros do PT local nestas eleições, Praciano conta que o processo disciplinar movido pela direção petista estadual não é decisão isolada. “O PT nacional está reclamando por causa do que aconteceu no Amazonas”, conta Praciano. Um exemplo de fatos que estariam causando estranheza ao PT nacional e que Praciano demonstra também não concordar é com a postura do secretário de Movimentos Sociais e Populares do Governo Melo, o petista José de Farias, conhecido como Zeca do PT, que ao saber do processo por indisciplina na comissão de Ética do partido e de seu afastamento, declarou: “Eu sou Melo mesmo e não nego”.

Praciano contesta: “Está errado. Ele poderia até ser Melo, mas não poderia se aliar e expor o partido dessa forma. Eu mesmo já passei por situações como estas, fui voto vencido em decisões partidárias e o que fiz foi me recolher porque o PT representa mais para esse País e esse Estado do que eu ou do que ele”, comenta Praciano.  (Any Margareth)