Teve até “Carão”: pouco trabalho e sessão especial de tudo que é tipo na Assembleia Legislativa

Na mira carão capa

Confesso que não entendi nada quando vi um pássaro preto enorme sentado à Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Estado (Aleam). Quê que é isso minha gente?, perguntei. Um colega jornalista me socorreu explicando: “É o Carão, o pássaro que é perseguido pelo caçador na ciranda”. Ai que fui entender que o tal Carão estava ali participando de uma homenagem ao Dia do Folclore, propositura de autoria do deputado petista Sinésio Campos.

Na Mira sinesio e grupos folcloricosE, como não resisto a um trocadilho, só o “Carão”, o Sinésio e inúmeros representantes de grupos folclóricos deram as caras por lá. Os outros 23 parlamentares da Casa, saíram correndo do plenário como se estivesse fugindo de curupira, mula sem cabeça, ou quem sabe não era do Carão, já que o colega jornalista também me explicou que muita criança corre com medo do pássaro preto

Na Mira DIADOADVOGADOMas, acho que não é isso não! Se fosse, a gente teria que acreditar que deputado não tem medo só do Carão, mas de advogado, economista, psicólogo, doador e até da juventude. Afinal, em sessões especiais como essas, o que menos se viu foram deputados em plenário. As cadeiras dos parlamentares da Casa e da Mesa Diretora foram ocupadas por representantes das entidades ligadas a esses segmentos sociais – isso quando elas foram -, ou pelos próprios homenageados, parentes e amigos.

Comenta-se pelos corredores da Assembleia que, quando a sessão especial fica esvaziada pela ausência dos deputados e pela presença de poucos convidados, são convocados até mesmo os funcionários da Casa para garantir mais gente nas fotos ou as denominadas claques, pessoas escaladas para aplaudir.

Homenageando

E as sessões especiais acontecem nos dias de sessão plenária mesmo, o que faz com que o pouco tempo dos deputados em plenário seja ocupado somente com falação e nenhuma votação. E terminam logo com a sessão porque tem homenagem. Só para se ter uma ideia a sessão especial em comemoração ao Dia do Folclore, por exemplo, foi feita numa terça-feira, o que fez que a sessão plenária terminasse mais cedo.

Bom lembrar que os deputados têm sessões plenárias três dias na semana (terças, quartas e quintas-feiras), correspondendo a apenas 12 dias em um mês – isso se todas as reuniões forem realizadas. No mês de agosto, quase o mesmo número de sessões plenárias correspondeu a quantidade de sessões especiais, 10 homenagens de todos os tipos, Dia do Profissional de Educação Física (31/08), Aniversário da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam) e do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) (30/08), Dia Nacional da Juventude (24/08), Dia do Folclore (23/08), Dia do Psicólogo (22/08), Homenagem aos Colégios Militares da Polícia Militar (18/08), Dia do Economista (16/08), Dia do Advogado (11/08), Homenagem aos 10 anos da Lei Maria da Penha (11/08), Dia Mundial do Doador (02/08).

Caçando voto

 E se os deputados desaparecem das sessões especiais, o presidente da Casa e candidato a vice-prefeito de Manaus, Josué Neto (PSD) só é visto no começo da sessão ordinária – nome sugestivo, né mesmo gente? Ele só abre a sessão e some.

Plagiando a estória do Carão que vive correndo do caçador, Josué Neto está à caça, mas é de voto. (Any Margareth)

Na Mira Josué