Time alemão inova no futebol com câmera no uniforme de jogadores

Foto: divulgação

Quem vê a filmagem pode pensar que é videogame, desses modernos, pois a sensação que se tem, devido à resolução oferecida, é essa.

Há um quê de artificial. Só que não é. O que se exibe é muito real, é um jogo de futebol de verdade.

Além disso, pode-se afirmar que o espectador nunca ficou tão próximo de cada lance. O sentimento é como se ele estivesse dentro do campo.

Em amistoso de pré-temporada contra o Milan, o Colônia, clube da primeira divisão da Alemanha, testou uma tecnologia inovadora no que concerne à visão do jogo: câmera colocada no uniforme de atletas.

Dois deles, o zagueiro Timo Hübers, 26, e o meio-campista Tim Lemperle, 20, foram os escolhidos para usar coletes com câmeras produzidos pela MindFly, de Tel Aviv, que os define como “100% vestíveis, 100% invisíveis, 100% seguros”.

Eran Tal, CEO da empresa israelense, afirmou que “nossos coletes de IA [inteligência artificial] são projetados para que o jogador mantenha seu desempenho e sinta o mesmo que com um colete GPS. Depois de alguns minutos, ele se esquece de que está usando [o utensílio]”.

Parte integrante do futebol há algum tempo, o colete GPS, aquele que fica sob a camisa e lembra um sutiã, serve para registrar dados como a velocidade do esportista e a distância percorrida por ele.

Com a “bodycam” (câmera corporal), os jogadores alemães puderam oferecer ângulos exclusivos, com a bola em movimento ou não, na partida. A tecnologia permite também captar sons, ou seja, o que é ouvido em campo pode ser transmitido.

Hübers “filmou” bem de perto o primeiro gol do Milan, do centroavante Giroud. O zagueiro era o jogador do Colônia mais próximo do adversário. Mal posicionado, só lhe restou olhar o francês driblar o goleiro Schwäbe e quase entrar com bola e tudo.

O segundo gol da equipe italiana, de novo de Giroud, ainda no primeiro tempo, também teve o registro diferenciado da “bodycam” do beque.

No segundo tempo, foi a vez de Lemperle, que tinha entrado após o intervalo, fazer as vezes de “cameraman”. Ele registrou um gol, o do seu time, que viria a perder o amistoso de sábado (16) por 2 a 1.

Em um escanteio, o meia estava na entrada da área do Milan, em posição centralizada, e ofereceu ao espectador o seu olhar do lance, com a cabeçada na trave de Arrey-Mbi e a posterior finalização de Dietz.

Lemperle festejou, conforme a sua “bodycam” mostra, batendo palmas, três vezes. Um detalhe que jamais seria visto com o uso das câmeras convencionais.

Experiência finalizada, ficam as perguntas.

É interessante e atrativa a tecnologia? Sim. Vai ser utilizada novamente? Possivelmente, devido à repercussão positiva. Vai se expandir para outros clubes e ser utilizada em jogos oficiais? É cedo para dizer.

A reportagem fez contato com a Fifa (entidade máxima do futebol), a fim de que comentasse acerca da utilização da câmera “em primeira pessoa”, porém não houve resposta.

Quem forneceu à Folha informações, mesmo que sucintamente e sem mencionar o custo da empreitada, foi o Colônia, por intermédio de Lil Zercher, assessora de comunicação do clube.

“Por enquanto esse foi um evento único, mas é claro que avaliaremos todas as inovações em torno do jogo que sejam úteis e tenham impacto positivo na experiência do espectador.”

No amistoso no estádio RheinEnergie, que foi chamado pelo Colônia de “Jogo da Inovação”, além das câmeras nos jogadores, houve outras ações tecnológicas, como um sistema que informava em tempo real qual banheiro ou lanchonete tinha a menor fila e a oferta da superveloz internet 5G aos torcedores presentes na arena.