Titular da Sejus acaba confessando à imprensa que detentos do semiaberto do Compaj entram e saem do presídio facilmente

bonates

Não dá nem pra classificar o que significa ter visto (e ouvido) o titular da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos, coronel Louismar Bonates, declarar na maior tranquilidade do mundo, em entrevista a TV Amazonas, confirmando mais uma fuga de presos do sistema penitenciário, que os detentos do regime semiaberto do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), no km 8, da BR-174,  saem e entram no presídio com a maior facilidade porque o muro atrás da penitenciária é baixo, dá pra pular sem muito esforço. E, com a mesma calma, deixou a situação ainda pior quando disse que, além do muro ser baixo, as guaritas “nem sempre têm policiais de vigia” e deu como justificativa para tal fato, policiais faltarem ao serviço por vários motivos, mas em nenhum momento explicou porque esses policiais das guaritas não são substituídos, ou porque ainda não tomaram a simples providência de aumentar o muro do presídio.

A entrevista do titular da Sejus, coronel Bonates, beirou o absurdo quando ele chegou a comentar que alguns presos que fugiram do Compaj pulando o muro, quando foram cercados pela polícia, retornaram para dentro do presídio pelo mesmo local que saíram, ou seja, apenas pulando o muro da prisão. Através disso, dá pra concluir que os detentos entram e saem da cadeia a hora que bem entendem. Ao comentar sobre mais uma fuga de detentos do regime semiaberto do Compaj, o titular da Sejus se resumiu em confirmar o ocorrido e, ao invés de apontar uma solução definitiva para o problema, disse que foi “reforçado o policiamento em volta do presídio”. O coronel não precisou o número de fugitivos do Compaj, mas fontes do Radar falam que chega a 40 o número de detentos que deixaram o presídio.

Manaus sitiada

E as declarações do titular da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, coronel  Louismar Bonates, só fizeram lembrar (e confirmar) denúncia feita pelo deputado e candidato ao Governo do Estado, Chico Preto (PMN) que, da tribuna da Assembleia Legislativa do Estado, esta semana, disse que “Manaus está sendo tomada de assalto por detentos do regime semiaberto”, e pediu ao Ministério Público do Estado (MPE) que investigue o que está ocorrendo no sistema penitenciário, onde há constantes fugas de detentos, que saem da cadeia, praticam diversos crimes aqui fora, e os crimes ficam sem solução porque os autores retornam pra dentro do presídio, como se nada tivesse acontecido e nunca tivessem saído de lá.

Chico Preto chegou a colocar sob suspeição autoridades do sistema penitenciário, da Justiça, e até um grupo de advogados, que fariam parte de um esquema que ele denominou de “prende e solta”, onde presos do semiaberto estariam tendo proteção para sair e cometer crimes.

Para exemplificar o que está acontecendo, o parlamentar lembrou que, três dos quatro envolvidos no assalto que resultou na morte do sargento PM José Claudio Marques da Silva, no dia 2 de setembro, estavam cumprindo pena e eram foragidos do sistema semiaberto. “Todos nós estamos reféns da bandidagem”, reclamou Chico Preto, apontando uma situação em que Manaus estaria sitiada por criminosos, e não é mais somente aquele que tem seu comércio nos bairros que corre risco de vida por causa dos constantes assaltos, e vive atrás das grades, mas sim qualquer cidadão de classe média que pode sofrer um ataque de bandidos, seja em que lugar for.

Coincidência?

E, coincidentemente, Manaus viveu mais um dia de terror neste sábado, mesmo dia de mais uma fuga em massa do Compaj. Na madrugada, quatro bandidos tentaram assaltar um grupo de pessoas que saiam, logo após a meia-noite, do restaurante Taboo, na rua Maceió, em Adrianópolis. Dentro do restaurante estavam cerca de 60 pessoas. Um dos clientes, um policial militar, tenente Lemos, reagiu e trocou tiros com os assaltantes. Em meio ao tiroteio, pessoas se jogavam embaixo das mesas ou corriam para os banheiros. O tenente saiu ferido, assim coo um dos bandidos. Um fato que demonstra que os cidadãos de Manaus estão sitiados dentro de suas casas, enquanto os bandidos estão livres. (Any Margareth)