“Todos os dias querem nos matar”, afirmam pessoas vivendo com HIV, no AM

“Todos os dias querem nos matar: não queremos prioridade e sim direitos”. Foi assim que Evalcilene Santos iniciou sua fala na cerimônia de abertura do I Seminário da Rede Nacional de Pessoas vivendo com HIV do Amazonas (RNP+AM). O evento ocorreu durante essa quinta-feira (29), na Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

A ausência da Coordenação Estadual do programa de prevenção a IST/HIV/AIDS foi notada pelos presentes. Apesar de os representantes terem sido convidados, não compareceram sob alegação de o Estado ter decretado ponto facultativo.

Evalcilene ressaltou ainda a falta de remédios, de atendimento humanizado e o medicamento fracionado são lutas diárias enfrentadas por quem precisa dos remédios. Ela é presidente da Associação de Redução de Danos no Amazonas – de álcool e outras drogas; e Projeto de Prevenção de IST/HIV/DST e Tuberculose.

O deputado estadual Luiz Castro (Rede) salientou a fala de Evalcilene. “É um sentimento de desrespeito misturado e de empatia de alguns profissionais da saúde. Ninguém quer ser tratado como coitadinho, e sim como indivíduos, com suas particularidades e detentores de direitos”, assinalou o parlamentar.

Luiz Castro, que preside da Frente Parlamentar de Enfrentamento e Defesa das Pessoas vivendo com IST/HIV/AIDS e Tuberculose (Frendhat), lembrou ainda que os ‘bandidos que lucraram na Operação Maus Caminhos deixaram um rastro terrível na sociedade amazonense’.

“Nas visitas técnicas que fizemos a hospitais, ouvimos relatos de profissionais há cinco meses sem receber. Ora, como atender bem, se o servidor está com fome? E não é fácil estar à frente dessas questões, na Assembleia Legislativa (Aleam), porque estamos quase sozinhos nessa luta”, rememorou o parlamentar.

A coordenadora estadual da RNP+AM, Vanessa Campos, afirmou que a ignorância chega a ser mortal. “É fundamental entender todo o contexto: o Amazonas encabeça os índices de diagnósticos de HIV, no Brasil. O seminário é importante para falarmos sobre prevenção combinada e o olhar da Psicologia para os PVHAs”, ao falar das políticas públicas para pessoas vivendo com HIV/AIDS.