Tomógrafo do 28 de Agosto está quebrado há mais de 4 meses; idosa morre e não faz o exame

O período de Carnaval não foi, nem um pouco, de festa aqui no Radar. Não deu pra ser feliz com tantas denúncias sobre sérios problemas no atendimento das unidades de saúde pública do Estado – bem diferente da propaganda do “Governo das pessoas” do “professor” Melo, no horário nobre da TV.  O caso mais sério aconteceu no Hospital 28 de Agosto onde parentes da idosa Alice Freitas Barros, de 82 anos, ligaram para o Radar em desespero. A paciente precisava de uma tomografia de tórax (ver exame no final da matéria) e o tomógrafo está quebrado há mais de quatro meses, segundo informações que o próprio corpo clínico do hospital passou para a família da paciente.

Dona Alice, foi trazida do município de Iranduba para a capital, em busca de um melhor atendimento médico, já que no interior do Estado, mesmo nas cidades mais próximas, a saúde pública está um caos. Mas, segundo palavras da própria família, foi triste ver que os serviços de saúde em Manaus não estão muito diferentes. Dona Alice, apresentava um quadro clínico sério, até mesmo por conta de sua idade, por isso mesmo, tornava-se tão urgente fazer o exame solicitado pelo médico.

“Foram dois dias de angústia. O que as próprias enfermeiras informaram é que a máquina do exame (tomógrafo) está quebrada há meses. Falaram que tinha que arrumar uma UTI para levá-la a outro hospital pra fazer o exame, mas foram logo dizendo que só tem duas ambulâncias com UTI para servir a todo o Estado. Quando conseguiram já era tarde demais. Ela faleceu”, contou ao Radar um familiar de Dona Alice. Ela morreu na sexta-feira passada, dia 03 de março.

Cadeira de Roda

E o que contam os pacientes do 28 de Agosto sobre o atendimento, não passa nem perto da “saúde humanizada” da propaganda do “bom e humilde professor” governador Melo. Eles falam sobre um atendimento desumano onde pacientes são atendidos em cadeiras de roda porque não há macas – e se chegar um paciente desfalecendo, vai ter que ser carregado por alguém, já que também falta cadeiras de rodas.

Esses pacientes atendidos em cadeiras de rodas, ficam na sala de espera do hospital porque não há vagas suficientes nas enfermarias. Lá se põe gente amontoada e faz calor porque os ares-condicionados não estão funcionando direito.

O problema é uma peça

A resposta dada pela direção do Hospital 28 de Agosto, através da assessoria da assessoria de imprensa, para o questionamento do Radar sobre o tomógrafo da unidade de saúde estar quebrado é que precisa e uma peça para o equipamento – faltou dinheiro pra uma peça, “professor”?

“Com relação a máquina de tomografia, a direção informa que o aparelho apresentou defeito técnico e que o conserto já está sendo providenciado mas depende da chegada de uma peça fabricada fora do país para ser finalizado. Os pacientes que necessitam do exame de tomografia estão sendo encaminhados para outras unidades da rede estadual de saúde, onde o exame é ofertado”, justifica a direção do hospital.

Já a justifica para os problemas no atendimento aos pacientes, é a mesma dada pelo “professor” Melo e seus secretários de Saúde há anos: a população vai para o 28 de Agosto, quando poderia ser atendida em unidades básicas de saúde – por que será, né meu povo, que as pessoas não procuram os SPAs ou as UPAs? Todo mundo já sabe a resposta, né mesmo?

“O Pronto-socorro 28 de Agosto é uma unidade de alta complexidade e possui uma alta demanda de atendimento, com média de 1.200 pacientes por dia. Cerca de 40% dessa demanda é de pacientes que poderiam ser atendidos pela rede básica de saúde. Há também os casos de menor complexidade, que podem ser solucionados em um dos oito Serviços de Pronto Atendimento (SPA) ou na Unidade de Pronto Atendimento  (UPA)”, diz a direção. E o Radar não consegue deixar de perguntar: alta complexidade, onde até o tomógrafo está quebrado? Pode, gente? (Any Margareth)