Trapalhada e “guerra” de vaidades da bancada federal do Amazonas só traz prejuízos para o Estado

reunião com ministro

Nota oficial intitulada “Nota de Esclarecimento: PEC da Zona Franca de Manaus”, que está publicada no site da Presidência da República (Secretaria de Relações Institucionais), assinada pelo ministro da pasta, Ricardo Berzoini deixou a bancada federal do Amazonas no Congresso Nacional numa situação terrivelmente vexatória, e respinga inclusive na imagem que se possa fazer sobre o Estado em nível nacional, nos impondo a ridícula situação de ver parlamentares do Amazonas desmentindo acordo, anunciado no dia 30 de abril por outro parlamentar amazonense, senador Eduardo Braga, líder do Governo Federal no Senado. No anúncio foi largamente divulgado que o acordo foi feito com a própria presidente da República, Dilma Rousseff, e com os ministros Guido Mantega (Fazenda) e Aloizio Mercadante (Casa Civil), para votação da PEC da ZFM em segundo turno.

Como se não bastasse o modelo Zona Franca de Manaus (ZFM) ser historicamente bombardeado por centenas de inimigos, alguns dos mais poderosos da indústria nacional, e as votações da PEC da ZFM viver sendo brecada por políticos a serviço dos interesses desses empresários e de seus respectivos Estados – dá até pra entender a posição deles, não é mesmo? – ainda nos vemos diante de uma trapalhada gigantesca dos nossos deputados federais, provocada visivelmente por disputa de espaço político em ano de eleição e de espaço na mídia para alimentar egos inflados.

Matérias publicadas em diversos veículos da imprensa local deram conta de reunião da bancada federal do Amazonas, nesta quarta-feira (07) com o ministro das Relações Institucionais da Presidência da República, Ricardo Berzoini, segundo nossos próprios parlamentares, para tratar de costurar um acordo para votação da PEC da ZFM em segundo turno. E vários deles saíram de lá tocando terror no povo da nossa terra – eu também estou incluída, tá? – ao dizer que não tinha acordo nenhum para votação da PEC de prorrogação da ZFM e que nem arriscaria uma data para a votação, palavras de ninguém menos que a vice-líder da bancada do Amazonas, deputada Rebeca Garcia.  Fazendo coro com Rebeca, o deputado federal Carlos Souza disse estar “decepcionado” por saber que não havia acordo nenhum, no que foi acompanhado por outro dos nossos representantes no Congresso Nacional, o deputado federal Pauderney Avelino.

Mas, será que antes de sair alardeando isso pelos quatros cantos, não dava pra fazer só um telefone e perguntar pro colega de bancada, senador do Estado, que por acaso também é líder de Dilma no Senado, Eduardo Braga, se ele cometeria o absurdo de mentir pro povo do Amazonas e ainda colocar nome da presidente e de dois ministros numa lambança como essas? Será que também não dava pelo menos para se informar sobre quem estava no dia do acordo, já que isso foi publicado até nacionalmente? O que pensar de um Estado onde sua bancada desqualifica um de seus senadores?  Será que dava pra não colocar seus interesses próprios e suas vaidades acima dos interesses do Estado?

Ficou feio pra gente uma coisa dessas! Além de constranger o Estado, ficou tudo com cara de paisagem após nota oficial do ministro: “ A Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República através do Ministro Ricardo Berzoini, esclarece que o acordo para votação do segundo turno da PEC da Zona Franca de Manaus apresentado na última quarta-feira, 30 de abril, pelo senador e líder do governo na Casa, Eduardo Braga, ao presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, é fruto de amplo entendimento com o Ministério da Fazenda. O documento foi recebido pessoalmente pelo senador Eduardo Braga das mãos do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dyogo Henrique de Oliveira. O texto foi autorizado pelo Ministro da Fazenda, Guido Mantega e pelo vice-presidente, Michel Temer, convocado pela presidenta Dilma Rousseff para acompanhar de perto a construção do acordo. Diante disso, esclareço que todas as informações publicadas com conteúdo contrário ao elucidado nesta nota não correspondem com a realidade dos fatos. Reitero ainda o compromisso firmado com o senador Eduardo Braga e o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves, de votar o segundo turno da PEC ainda neste mês de maio”.  (Any Margareth)